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Quem quiser conferir, o show dos caras vai rolar nesta sexta lá no Rádio City Café (Av. Manoel da Nóbrega, 1.275, Praia do Itararé - São Vicente / SP) e custa R$10,00. A consumação é livre e o telefone da casa é (13) 3467-7474. Eu dormi em cima da mesa na metade do show, e fui pra casa no primeiro intervalo da banda, toda descabelada, sem brincos, com os olhos lacrimejando e com um torcicolo infernal. Mas até o momento que eu consigo me lembrar, foi só: 1,2...1,2,3,4! E toma “Baby it’s You”, “Nowhereman”, “Day Tripper”, “It won't be long”, “All my loving” e outros clássicos. Uma verdadeira overdose beatlemaníaca de primeira, capaz de deixar qualquer nerd babando. Aliás, baba é o que não faltava naquele bar. E como tantos outros, eu também fui até Santos só para comparecer ao show destes meninos. É um treco imperdível, e só quem já viu vai saber do que eu estou falando. Nunca tinha visto uma reprodução tão fiel de uma banda, até assistir Zoombeatles há 4 anos atrás, e daí por diante eu não consigo perder um. E não é exagero meu não. Os caras são tão bons, que ganharam um festival que concedeu a eles a honraria de tocar em lugares clássicos de Londres e Liverpool, como o Cavern Club (back stage) e o Cavern Club Front, onde os Beatles fizeram por volta de 290 apresentações. Uma verdadeira loucura pra quem é beatlemaníaco. E o mais interessante fica para a caracterização. Chega a ser engraçado, pois eles tomaram devido cuidado para que a fidelidade não se restringisse apenas às músicas, fazendo toda aquela reprodução visual de cabelinhos tigelinhas, roupinhas iguais, instrumentos idênticos, e balançadinhas de cabeça, o que torna o show uma puta diversão. Dá até vontade de gritar, e chega um determinado momento que você começa a acreditar naquilo tudo. Bem surreal mesmo, mas eu tive que me conter, mesmo porque já estava sem forças para berros estridentes e dançinhas peculiares. Só a cabeça ieieava sutilmente, reforçando todo torcicolo. Hoje eu to fudida e agora vou ter que dar entrada na minha "desintoxicação espiritual e corporal", do mês "não se mata, menina!". Vai ser bem monótona e com direitos a porres de chá de erva cidreira, suquinho de fruta, esteira e estudos. Tudo isso só para conseguir sobreviver por mais um pouco e testar minhas capacidade de prudência e autocontrole.
O pior de tudo é essa merda de ressaca moral que nem tem a ver comigo. Quanta palhaçada. Tudo tinha que acabar em caos e puro constrangimento. E vou falar mais: Entre uma confusão só de palpitações sobre hinduísmos, anarquismos, pratos sujos e discussões sobre moral e cívica, decidi não mais argüir sobre as tais mesquinharias alheias e dar mais chances à minha intuição (começo a acreditar nisso). Às vezes é melhor ficar em casa, e perder (ou ganhar) horas assistindo a meus filmes, quando presumir qualquer coisa deste naipe. Nesse caso, os céus me poupariam das estranhas e desnecessárias promessas desconexas. Cansei de pagar o pato pelos outros, e não vou dar mais o braço a torcer. Eu, sempre acabo me fudendo por disparates alheios e agora eu torço para que a merda toda exploda junta, de uma vez só e bem longe daqui. Dou duas doses de graça. A terceira, vai ter que pagar. Nem adianta chamar a polícia. Pode até processar, se for capaz. Ou simplesmente sair de fininho. Pelos fundos, sem que eu veja. O problema disso tudo é que, junto à minha excelente dupla, saí invicta da sinuca (isso é raro). 8 partidas seqüenciais e creio não ter desapontado as expectativas alheias e pessoais. Não é assim que se faz, Caio??? Da próxima, perco todas. Pode apostar. Mas em um determinado momento, eu jogo o cigarro no chão, e percebo o quanto isso faz falta. Faz falta pra caralho, mas também não tem muita importância. Quer dizer, visto por outro lado, em uma outra hora do dia. Isso tudo tem a ver com uma doentia confusão de conceitos morais impostos e naturais, que oscilam entre o dia e a noite. Que me desafiam até a morte, ou até quando eu parar de apostar minhas medíocres horas diurnas. Nesse joguinho de azar, eu sempre perco no final. Fico no prejuízo. Isso é muito irritante e a aposta é razoavelmente alta, mas acredito que faz parte da questão cotidiana da coisa, lá nas entranhas da base da cadeia alimentar, que é meu lugar. Jogo meu dia e a capacidade de autotrofia privada a baixo, mas ainda tenho aquele tênue vapor atmosférico para molhar a cara. O lance é que quero, mais que tudo, sair dessa atual desconjuntura. Mais que tudo! Lá no meio da noite, debaixo daquela luz, naquele salão cheio de mulheres segurando tacos, a vontade maior era de achar aquele mal perdido, e se impregnar dele até a alma. Afastar de vez aquele incômodo que submergiu naquela noite, onde Eagles era apenas o tempero e o detalhe mais desgraçado. Esse treco todo é cíclico e extremamente obliquo. Mas é conexo a tudo, tendo em vista a aposta diária de ver, constantemente, o nada tão de perto... E de repente, como se não bastasse no dia, este breu reaparece para dar um oi. Azar de quem, como euzinha, somente se obriga ao nada e ao lugar nenhum. Mas vejo redenção, olha só: me abstenho da lassidão do dia para ter noites de intermináveis partidas, só para sustentar a ressaca da vida. Sou um zooplâncton a mercê da maré. É ridículo, mas paciência. Fazer o que? Assim é meu dia. Repleto de relatividades e asneiras afins. Mais sempre tem mais uma partida que não vejo o fim, e, geralmente, não consigo encontrar o rumo exato da 8. Paciência, perseverança e muita, muita delicatesse para acalmar os nervos e usufruir desse nada. O absoluto nada, boiando em um monte de excremento amontoado. Infelizmente ele te engole num susto e goza da mente obstinada pelo desejo de ser e sentir. Mais paciência. Pode ser só a TPM. Paciência. Ela passa é só sobra esse Eagles soprando e induzindo a qualquer coisa que talvez valesse a pena. Sempre foi assim... Em homenagem ao japa desentupido e ao histórico de alcoolismo e loucura familiar, fui numa cervejaria alemã, me acabar em um (ou vários - não me lembro bem) copo de cerveja. Não que a cerveja fizesse alguma diferença, mas além de anestesiar, ela eleva o valor gustativo dos peixinhos empanados e me fazem olvidar tudo de mais azucrinante daquela tarde de uma carência muito, muito grande de Valium. Obrigada aos pernilongos. Vocês, insolentemente, me salvaram do juízo final. A verdade é que o desígnio de me apresentar (como titular titia babona) ao jovem nipônico, foi para o saco. E para ter esta honraria, tive que comprar um pacote de viagem, composto por:
Ah, dolce far niente... Essa melindragem toda pode acabar com o sossego de alguém. Agora é tempo de se resguardar, e sair do limbo (que fica ao lado do Orquidário Municipal), bem longe das criancinhas não-batizadas. Isso que dá negligenciar o tempo... Quando busco por enredos grotescos, recorro a filmes do Monty Phyton, e isso já me basta. É isso aí. Saí de perto. Karma é um treco que tem pra todo mundo, pode ficar tranqüila. E agora não adianta colocar a culpa no copo vazio ou na fertilidade alheia. O lance todo, é que essa raiva com deus e o mundo está intimamente ligada ao seu natural condicionamento ao fracasso. E o medo dele, conseqüentemente, né? E vai ter que suportar, pois eu não passo mais perto desta armadilha. Sei que não sou boa o suficiente para sair impune. Tem coisa que eu não posso resolver, e tem muita gente sendo bem remunerada para isso. Vamos contribuir com a economia brasileira, com a saúde mental e apostar nestes profissionais. Entregue a bomba para alguém que consiga desarmá-la e comece a pensar em laqueaduras e ONGs de ajuda ao próximo. Você se lembraria se não estivesse tão ébria: eu já tentei uma vez e a bomba explodiu na minha mão. E hoje, você torna a implorar... não tem vergonha? Porque eu tinha que atender ao parecer técnico e pegar o galho mais alto daquela Mamica-de-porca sem tetas. Porque eu tenho que ajudar a fazer aquela área antropizada virar Estação de Tratamento de Merda. Foram 5,2 hectares de miséria botânica e 5 horas de duelo com os mosquitos e carrapatos que acabaram com a minha raça. Quase um estupro. As funestas ruderais riam da minha cara e eu perguntei o nome delas para uma vaca. Ela também não devia ser bióloga, nem gostar de plantinhas. Mas no final da história, fiz o engenheiro-japa subir em uma das mamicas, e aferir o Diâmetro a Altura do Peito (DAP), que, para ele, era a 20 cm. Isso ele fez com aversão, frieza, asco, e sem GPS. Uau!!!! Eu achei aquilo surreal e meu dia melhorou muito a partir daí. Eu parei de rezar e comecei a pensar no meu japa desentupido. Na verdade nem eu nem ele queríamos trabalhar e só conseguíamos viajar na churrascaria e nos bois grelhados com alho e agrião. Estávamos numa intensa viagem astral até a região urbana (que tinha água gelada, coca diet e defuntos com alho), quando vimos um monte de cavalos que, agora, nos acompanhariam com júbilo e excitação por culpa do cheiro do repelente que não funcionava. São só os feromônios, pensei comigo. Ainda bem que as ruminantes não estavam por perto. Resumindo a tragédia toda, hoje eu pastei. E aquelas vacas me atrapalharam. Ou fui quem atrapalhei elas ??? Não importa. Estávamos todas no mesmo barco e no mais alto grau de pastagem. E na volta as pessoas deviam achar que eu era louca andando com aqueles sacos de 100 litros na estação Santana do metrô. Talvez eu tivesse um defunto de cachorro (ou de vacas) lá dentro. Mas eram Myrtaceaes e Rubiaceaes... Não, não, bem. Eu só disputei um lugar ao sol com os pernilongos. Pronto, ta vendo? Agora só falta fazer fotossíntese. A verdade toda é que eu maldigo a botânica e sei que não precisava ter voltado lá depois de seis meses, só para montar em vacas, lutar com pernilongos insolentes e apanhar mato. Detesto botânica e a culpa disso é toda minha. Azar o meu que decidi tarde demais o que eu queria fazer desta porca desta minha vida e agora não adianta mais chorar. Isso dói, dói muito, mas a escolha foi minha. Na realidade, quero ser redundante mesmo, e apostar na aposta de que “tuuuudo vai ficar bem”. Pagar pra ver se você está certo.
Mas, muito bem Flipper! Vai fingir que não é com você e se fazer valente... As abelhas me atacaram por isso e os espinhos das zantoxilum me arranharam. E quer saber mais: arranhou e doeu. Doeu muito. E as picadas deixaram marcas em baixo de meus olhos. Agora é tentar me recuperar e passar para a fase do arrependimento de ter escolhido essa vidinha de estípulas interpeciolares. Subi nas vacas para tentar arrancar um galho seco e caí sobre o estrume das ruminantes. Caminhei 5 hectares de área degradada e agora não dá tempo para ir assistir à leitura do texto do Paulinho. Sacanagem. Agora é só lamentar e passar Caladril nas picadas e esperar que saiam as marcas. Quem sabe não para de doer um pouco? Essa história de escrever, escrever, escrever e escrever... rápido e muito, tinha que dar nisso. Meu Deus, como encontrei erro!!!!! Santa crassa ignorância. Se alguém encontrar mais algum adultério da língua portuguesa, por favor, me avisem! Eu tenho pena dos caras que ficam de madrugada na fila de emprego da Força Sindical. Mas eles não têm pena de mim. Eles gritam e me acordam às 4:30 da manhã, com seus manifestos plausíveis de me deixar acordada e louca. Isso não é justo. Devem achar que lá na Liberdade só mora puta. Mas eu não sou puta, e nem pretendo me tornar uma. Sou só uma consultorazinha ambiental de merda que tem que acordar às 7 horas da manhã para ir trabalhar. Não gostava do bairro quando eu me mudei, mas agora é diferente. Lá é a minha casa e não trocaria aquilo por nada neste mundo. Mas são tantas as coisas caindo aos pedaços, que já estou mudando de idéia. Há 4 meses os caras da administradora elevaram meu condomínio até o Cinturão de Órion e me dizem que é a culpa é do 13º salário dos funcionários. 13º, né? Entendo. Só para lembrar, estamos no mês de março e eu continuo bancando o “13º” dos caras. Se isso não bastasse, não tenho piso no banheiro e na cozinha (é uma inhaca), minha privada dança quando você senta, a torneira do banheiro não para de pingar, o chuveiro faz cair a luz do apartamento inteiro (e água fria na minha cabeça), as paredes esfarelam, e em 1 mês tive que detetizar três vezes por culpa das baratas que dividem o apartamento comigo sem pagar nada. Fico no prejuízo. Isso sem contar as paredes finas, os meus vizinhos que cismam em dar trepadinhas da meia-noite às 3 da manhã, os malucos da fila da Força Sindical, e a vizinha maluca do 605 querendo conversar de manhã. Depois ainda tem gente que reclama do meu mau humor. Se não me falha a memória, o ano era 1993. Eu tinha lá meus gêneros musicais preferidos quando adolescente, que se restringiam a discos arranhados e velhacos do CCR, Beatles, The Mamas and the Papas, Eagles e outras coisitas mais. Muitos continuam até hoje. Mas a diferença é que eu não gostava muito de bandas novas e me limitava a escutar coisas que marcaram minha infância por culpa do gosto da mamãe (dentre elas está o Ray Connif, mas este eu não conto não). E foi nessa época em que ouvi pela primeira vez o som dos caras. À primeira vista, tive uma pequena repulsa ao escutar o nome da banda, mas seduzida por uma promessa de uma partidinha de sinuca lá no canal 7 (que tinha uma mesa imensa) após o show, acabei indo assistir àquela apresentação que aconteceu na praia do canal 3. Na realidade, não tinha muitas coisas para fazer naquela cidade, e nada melhor que um showzinho para abstrair a monotonia da minha vidinha provinciana. As Velhas entraram no palco, e eu só me lembro de ter rido. Por deus, eu ri muito! Ri tanto naquela noite, que não consegui conter minhas necessidades fisiológicas associadas a atividades renais pseudofuncionais. Foi uma loucura. Mas eu não quero falar destes problemas de fluidos não, que me causam embaraço. O fato é que eu já tinha mudado de opinião quanto àquele som. A banda era boa, e além de tocarem bem pra caralho, mostravam uma doutrina heterodoxa descomprometida com tudo, e conseguiam se colocar alheios a qualquer moralismo barato e de quinta categoria. Pois é. Poucos conseguem fazer isso com tanta proeza e de forma tão esdrúxula, peculiar e espontânea. Nessas, eu acabei por incluí-la em meu check list musical por alguns anos. O povo da cidade também. Como diria o Juan, os caras são só sucesso lá na terrinha do SFC. Mas eles sumiram. Fiquei anos sem ouvir falar da banda durante muito tempo. Até que o Mário, mostrando a trilha da peça que fiz com o pessoal do “Pernilongos Insolentes”, ressuscitou aquela putaria toda nos meus ouvidos. Eu mal acreditei quando escutei, novamente, aquilo tudo. Me lembro, quando escutávamos a trilha antes do espetáculo, o Ronaldo, que se divertia com as letras (e com minha respectiva cara - pois era a única mulher do elenco), cantava aquela escrotagem toda para mim, fazendo performances horrendas com aquela vil barriguinha peluda. Eu não gostava e mandava ele ir a merda sempre quando isso acontecia. Mas essa história é outra. O fato é que sempre tive vontade de rever um show deles, mesmo que alguns estereótipos aparentemente machistas de suas letras me incomodem. Mas isso tudo é só uma questão de ego feminino e de fidelidade natural com shakti imposto pela minha mãe. A culpa é dela, e isso é extremamente relevante. No mais, aquilo tudo me diverte e não me causa tenta repulsa assim. Como diz o Paulão, não é machismo, é masculinismo, que, segundo seu dicionário particular de “Novilingua Pauliniana”, é um pouquinho diferente. E tudo isso não passa de uma distorção do machismo exacerbado. É só um palpite. E fui no café aurora, para matar a saudade da minha adolescência. Tinha tanta gente, que fui obrigada a ficar sentada para não ser esbofeteada no meio dos meninos grandes. Depois foi lá no Cemitério de Automóveis. Eu e a Adriana bebemos tanto, que quase não tivemos lucro em cima do comércio. Hoje, por mera ironia, conheço alguns dos Velhos Virgens, e eles não me deixam jogar sinuca. Devo ser muito ruim. Mas sem hipocrisia, e apesar da exclusão social, é verossímil ansiar pelo sucesso da banda. E mais uma vez, agora só falta vocês irem tocar em Santos. Eu vou estar lá. Enfim: Obrigado, obrigado, obrigado... Meu gatinho nem nasceu e já está me dando um baile. Tirando uma da cara da titia. Quero só ver quando completar 18... Fiz o maior tricô para conseguir um dia inteirinho de folga, apenas conhecer a carinha daquele pequeno bandido entupido... e nada! Agora amanhã tenho que ficar enclausurada na empresa e não vou poder ver a cor de teus olhinhos despigmentados e cegos e rir da tua carinha toda torta. Comprei um brinquedinho para você que vai chegar por sedex, viu? Mas porra! Até você, Yan? Hoje eu corri. Corri muito. Do canal 1 ao canal 7, perfazendo uns 5 km. A ida e a volta cansaram, mas cansaram de uma forma nostalgicamente serena. Esta sensação me trouxe de volta a memória recordações de funções exercidas por 20 anos e ignoradas na mente obstinada pelo cansaço. A Royal ainda está lá... E o Pink Panter também, sabia Marcelo? Só as putas que mudaram de cara, e hoje, assaltam o simpático boteco da calçada da frente. Antigamente lá era "ambiente de maloqueiro" segundo meu pai, e hoje, o mal freqüentado bar vende croassaints e pãezinhos quentes a toda hora. Mas voltando à nostalgia. Costumo ficar visivelmente perturbada com o um olhar de velho deprimido, e geralmente faço analogias baratas quando olho o grão de areia e relaciono com meu lugar ocupado no espaço. Geralmente choro por estas coisas. Hoje as seratoninas e endorfinas liberadas não foram decorrentes, nem relacionadas ao excessivo consumo de substancias provenientes da galactose e do cacau, mas sim, das doencinhas que infernizam minha vida. Isso se sucedeu lá no emissário submarino de esgotos da SABESP, na altura da rua Cira. E olhando para todas aquelas espécies ruderais, umbiquistas e de hábitos generalistas que ali me acompanhavam, rezei baixinho pelos tempos idos com uma melancólica lembrança dos momentos em que permanecia alheia a mim mesma e sonhava com um pouco mais de dor. A dor veio, e com ela, a lembrança de que um dia eu me jogaria daquele píer. Hoje, eu só respiro... e lamento. Segundo um estudo de passivo vital executado por minha autoria, concluí que minha vida vale pouco. Vende-se ao valor estimado de R$ 737,5 (devido aos gastos com direitos trabalhistas que passo longe de possuir) para o pacote vendido de 9 horas diárias, ou 180 horas mensais. Isso quer dizer que a cada hora de infortúnio vivido, equivale a fortuna de R$ 4,0972222222. Considerando as 2 horas perdidas no transporte até a chegada de meu destino, calculo uma média de 13 horas diárias de sossego. Com este tempo que me resta, 2 horas passo na academia; 2 eu cumpro com meus deveres higiênicos e de auto-sustentação vital; 1 em atividades acadêmicas; 7 em estado de sono profundo, e a última que me resta, me arrumo do jeitinho que a véia gosta, só no anseio de deixá-la contente e me livrar de seus amuamentos. Com isso, se por um lado, a cada hora tomada de meu dia eu recebo R$ R$ 4,0972222222, por outro eu “pago” R$ 53,26 por 13 horas usadas para dormir, me vestir do jeito que minha companheira de trabalho gosta de ver, tomar meu banho, preparar meu almoço, cuidar da minha saúde, ... Digo isso, visto que não tenho horário fixo de trabalho, tendo eu que estar disponível àquela empresinha que só sabe mexer com merda o dia inteiro, se necessário. Averiguando-se este fato de disposição forçada, aliada a uma deficiência na gratificação pelas inúmeras horas extras executadas, estimo que minha vida paulistana equivale a R$ 1,53/hora. O que quer dizer que não dá para comprar um maço de cigarro. Para os que não sabem, este tipinho peculiar de narcose, também conhecida como Embriaguez das Profundezas é um efeitozinho, como um daqueles prá lá de convenientes, causado nos mergulhadores pelo necessário gás nitrogênio. Digamos bem interessante, pois a cada 10 metros de profundidade, ele dá uma piração na cabeça de seus adeptos, levando-os a um estágio interessante de alucinação. A cada 1 atmosfera de pressão incluída em seu logbook, é acrescentada a equivalente loucurinha de 1 dose de Martini. Ou seja, quanto mais fundo, maior a narcose. E não dá ressaca. Tudo bem que poderia ser um porrezinho de um Blue Label, mas fazer o que??? De graça até tiro na testa. Na realidade esse não é um efeito comum. Mas como tudo que é bom é raro e dura pouco... É de se entender. Mas conheço um sujeito que teve. Cara experiente, anos a fio de mergulho, tem operadora, barco e todo kit dive disponível no mercado negro e chegou ao ridículo de ficar horas (ou melhor, minutos, né Moa) viajando numa alguinha mais bem chinfrim em baixo d`água e quase se ferrou. "Comeu" quase toda a reserva de oxigênio do tanque e teve que subir correndo, o que é um problemão para as juntas destes coitados. O detalhe legal da história é que a dupla do cara também teve, só que ficou fascinado com uma pedrinha... bem... O que me assusta nesta história é que apesar da experiência dos caras nesta atividade, do fato de conhecerem o lugar como ninguém e de estarem numa profundidade de 50 metros, os experientes divers se quer se deram conta dos sintomas a tempo de fazerem a parada descompressiva. No lugar deles, eu teria ido pro saco... Mas pensando bem, o negócio é o seguinte: Nunca use Nitrox; administre algumas (várias) gotas do destilado Black Label a mistura gasosa de seu cilindro para mergulhos de até 30 metros; escolha uma dupla razoavelmente insana (Giordiiiii!) e que deteste biologia marinha, confira o estado de seu console (para se certificar que sua dupla não o comeu); cara de satisfação daquelas que vai ver frades por 40 minutos (isso é importante em casos de levantar suspeitas), e cai na água. Neste caso é importante não esquecer de fazer sinal de "ok" para o barco, rezar para Yemanjá e torcer para não dar de cara com um Chondrichthye. Pegue sua dupla pela mão, dê um beijinho de boa sorte e bom mergulho! Esses dias, alguém mencionou que tudo que um homem constrói na vida é para comer mulher. Ê Laia! Acertou na mosca. E digo mais, a mulherada ta no mesmo barco. Isso tem um nome, sabia? Chama-se seleção natural. Às vezes tenho a infelicidade de conseguir observar nas entranhas tristemente humanas, um submundo biológico distinto. Um resquício lastimavelmente bobo e evidente da teoria evolutiva das espécies em seres “racionais”. Isso é interessante. Talvez seja por isso que ta cheio de neguinho por aí que não consegue ter filho. Especiação pura que leva a uma tendência ao suicídio, loucura e homicídios em massa. Até aí, tudo bem. O problema vem depois e azar de quem tem cerebelo. De qualquer forma, a teoria da evolução, tarja a mutação e a seleção natural - não necessariamente nessa ordem - como os principais fatores evolutivos que, aliado a outros, induz à formação de novas raças e espécies, ou seja, mudança genética limitada pura e simplesmente. Pra que lado, absolutamente ninguém sabe ainda. E eu tenho lá meus palpites. Concordo com a tese de que uma vida inteira pode ser trocada por um número de disk-pizza, só para saciar e garantir o que a gente chama de supervaloração de um gene bem sucedido de merda, evolutivamente falando, claro. Mas aumentar a complexidade, modificar informações para simplesmente “gerar diversidade em populações naturais” é um pouquinho mais que “mostrar a bundinha malhada prum carinha maneiro” e “fazê ele goza gostoso”. Tem coisas que meu bom senso não me permite. Minha praia não é aí e eu espero sinceramente que tudo isso se foda, pois faço questão de racionalizar em cima da tal da luta natural pelo sucesso biológico e cair fora desse lenga-lenga todo. Não me permito ficar na filinha das bailarinas (por mais que eu seja a primeira) esperando para ser chamada e aceita na sociedade genética que passou de ano sem recuperação por culpa da bunda redonda (claro!). Deixei de me permitir isso há muito tempo. E aliás, espero sinceramente, morrer estéril.
- Enviado por: Marisa Lobo
às 12h53
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Please Mr. Postman, me traz um Engov!!!
- Enviado por: Marisa Lobo
às 09h52
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- Enviado por: Marisa Lobo
às 10h15
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Sinuca com Chesed e Geburah
- Enviado por: Marisa Lobo
às 13h40
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Longe de casa, há mais de uma semana
- Enviado por: Marisa Lobo
às 12h40
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O gato subiu no telhado (e eu em cima das vacas)
- Enviado por: Marisa Lobo
às 21h30
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Pressa Sempre Inimiga da Perfeição
- Enviado por: Marisa Lobo
às 12h30
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Tamandaré, 464
- Enviado por: Marisa Lobo
às 11h24
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Diariamente Narcoseados por Natureza
- Enviado por: Marisa Lobo
às 14h47
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Encaixotando a Titia

- Enviado por: Marisa Lobo
às 20h36
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Eu e os Flashbacks da vida
- Enviado por: Marisa Lobo
às 22h42
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O Valor de Meu Dia (há exatamente 1 ano atrás)
- Enviado por: Marisa Lobo
às 22h24
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Mas... que porra é essa?
- Enviado por: Marisa Lobo
às 19h50
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Submundo Biológico
- Enviado por: Marisa Lobo
às 18h00
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