|
Meu perfil BRASIL, Mulher MSN - marisalobovianna@hotmail.com |

.: Créditos :.
![]()
Template by
Dewi
Brushes: Police
Man
Passei vergonha. Com aquele saco de lixo de 100 litros cheio de planta. Novamente, esse acto indecoroso! Só por prudência: vejo que a maldição judaica começa a fazer efeito... Dia de campo é dia de pagar os pecados do mundo. Porque Várzea Paulista é uma cidade feia, e eu tive que catar uns matos por lá. Pra mim, hoje, eles valem meu salário... o que quer dizer que aquelas plantas são tudo para minha humile vidinha. E ainda sim, as acho horrorosas. Elas me fazem passar por aquela perturbação moral produzida pelo receio do ridículo. Toda firma de engenharia Loversabespiana fica longe do meu circuito trabalho-casa , o que acaba me impondo a obrigação de, em dias de catação, peregrinar com aquele saco, tolerando os diversos olhares desdenhosos. Pensando bem, isso tudo pode ser concebível: uma guria se arrastando sobre botas de mateiro furadas, toda descabelada, com uma lupa no bolso e um maço LM amassado no outro, atolada de lama até a alma e carregando, além da mala cor-de-burro-quando-foge saturada de tralha, um saco de lixo de 100 litros cheio de qualquer coisa que pinga! Que pinga? Sim... que pinga. Tenho que colocar água dentro do saco pra estufar as coitadas, só que desta vez, exagerei na dose. Escorria água do meu saco e molhei o pé de uma passageira do metrô. Foi muito ruim ter que tentar explicar que aquilo não era chorume. E que eu era apenas uma medíocre exploradora de matas, que se orienta sem bússola, portando apenas uma planta com coordenadas UTM. E que nem uma matuta de quinta eu conseguia ser. Mas a moça era loira, tinha franjas e usava sapatos de pelica. Ficou com nojo, e me mandou sair de perto dela. Eu saí, e desci triste na estação São Joaquim. Porque sujei as pelicas da moça com a sujeira das minhas goteiras insolentes.
Em Santos a prefeitura asfaltou a maioria das ruas. Disseram a palavra status, e eu me senti no início da década 70, onde, para ter cara de cidade desenvolvida, as prefeituras trocavam os postes de madeira pelos de concreto. Mas o que eles não sabiam, é que o maior inimigo deste material era a urina de cachorro, que acabava com a estrutura daqueles belíssimos postes, que terminavam caindo e matando uma porrada de gente - o que acontece ainda hoje. Mas voltando às vias asfaltadas, fiquei surpresa ao andar pelas recentes ruas pavimentadas e perceber que eles haviam esquecido de implantar novas bocas-de-lobo para extravasar a água da chuva. Por deus, não precisa ser engenheiro para argüir um treco destes, e isso foi o que me fez sugerir que, lá na prefeitura de Santos deve ter uma projetistazinha de quinta categoria, que além de não entender o básico da engenharia hidráulica, ainda deve usar régua T, aranha e caneta-nanquim para elaborar seus geniais projetos de engenharia civil (alguém, por favor, pode mandar esse cara de volta pra Poli!). Isso tudo só para contradizer todo o desenvolvimento e status que o prefeito buscou com a pavimentação das ruas principais. Quanta idiotice... o resultado foi uma bela enchente perto de casa, que há 20 anos eu jamais havia visto! E não bastando (e contribuindo um pouquinho mais com a contradição da administração de Santos), o cara ainda teve a insolência de colocar radar em tudo quanto é parte, te obrigando a andar a 30 km/h em avenidas que permitem, no mínimo 60. Seria bem melhor ter deixado como era antes, pois além de você não conseguir acelerar por culpa dos paralelepípedos, eles ainda absorviam a chuva, fazendo necessário apenas um bueiro por quadra. Como ainda está. Não consegui dormir. Troquei todo descanso que necessitava, por uma noite de antigos adágios tristes, deliberadamente remexidos. Tudo revolve, e o teto apavora quando a gente toma por si que a culpa é nossa. Tem pessoas que passam uma vida tentando se afastar da culpa impregnada na pele, só para conseguir conviver com essa simulação toda e sair impune da autoflagelação. Cada cigarro que eu acendo é uma passagem para o enfisema, e eu não consigo largar. Cada abrasivo que digo, é uma pessoa que eu perco, e não posso deixar de falar. Cada atitude mesquinha, é uma empáfia que se fere, que não consigo deixar de tocar. E por aí eu vou. Cometendo erros e pecando, sempre. Não gosto de pensar sobre a morte. Sua simples presença me causa uma sensação homérica de injúria divina. Mesmo assim, ela morreu do meu lado, numa sexta-feira, há um ano, às 20:45 hs. E eu não fiz nada que pudesse mudar aquele quadro. Poderia ter feito, mas minha impotência (ou burrice), se transformou em uma patifaria só diante a concepção do fato. E essa culpa nunca mais vai parar de queimar na minha pele. Não poder fazer, por incapacidade, é melhor que por pusilanimidade. Quatro convulsões, eram fortes motivos para chamar socorro. No entanto, me entreguei à submissão de funcionária, e agi como se ainda estivesse escrevendo meu diagnóstico, seguindo cegamente, as diretrizes da ISO 14001. Não era uma situação digna de ser tratada como um simples padrão de qualidade empresarial e obediência empregatícia. Desta vez, o impacto era diferente, e a área de influência era outra. Aquilo recaía sobre ela e eu mesma. Até hoje não consigo mensurar a amplitude do fato.Ela trabalhava como ninguém. Tinha um ânimo invejável, e me aconselhava como mãe. No carro, contava-me sobre sua vida, como se soubesse o que o destino a reservara, e tinha uma sensibilidade em me apoiar nos meus problemas, que até mesmo a pessoa mais próxima não soubera lidar. Seus pensamentos ainda ecoam na minha cabeça como se fossem reais. Sua voz ainda fala comigo, como uma música distante que toca numa esquina qualquer... Ela era singular.Talvez a imaturidade não tenha apenas me calado, como também, a todos os outros meus vizinhos de baias. Ela era a mais querida, a mais compreensiva, a mais alegre. E nós, em função da papal obediência, a matamos com nossa ignorância. Não tem mais risadas, nem whisky após os expedientes. Não tem mais música e nem ouvimos seus espontâneos escarros desaforados em francês, nos cantos da sala. Os trabalhos se cessaram instantaneamente e agimos com silêncio. Sua música acabou, e agora você não existe mais. Pelo menos aqui.
Talvez passe, talvez se acalme, talvez me acostume, mas talvez amanheça, sem que eu tenha se quer, deitado a cabeça no travesseiro. Esse cara ainda vai se matar. Trancado em quatro paredes, esse Winston tá fudido.Tenta ser um Kamikaze ideológico desgraçado. Coitado desse gordo, tá fudido... Eu padeço desse mal. Talvez padeça de outras coisas também. E fume. Um fumo de rolo. Um fumo de palha, de corda, de tabaco, de Cuiabá, de óleo larvicida, bem fininho, dichavado, triado, mal enrolado, de preto velho. Sentado na calçada, pedindo uma pinga e uma porção de salaminho, fumando e me explicando o que é ser de esquerda. Como Winston, o gordo idealista. Azar o dele e o meu, que fumo até padecer. Junto com esse preto, que fuma e se pendura no meu ombro esquerdo, que dói cada vez mais. Ele é santo, e eu de esquerda. Talvez tome um passe, e tudo isso passe logo. Um braço de boneca quebrada, sujo, jogado na vala, num sonho lá de longe. Eu pego, coloco na boca, o santo me diz que pego vermes. Estão me explorando. E não me pagam. Vou ficar desempregada, na fila da força sindical, chapada de vermífugos. Ao lado da minha casa. Talvez eu grite junto. E acorde meus vizinhos. Azar o deles. Azar o meu. Que peguei os vermes, fumei, acomodei o santo e perdi o emprego. Pensando bem, tem um cara estudando física quântica na minha frente. Pensando assim, o tempo passa logo, e eu me mato aos poucos. Dias destes, fui almoçar em um restaurante judeu, de um bairro grego povoado por coreanos. Essa situação sincrética, me faz sugerir um nível garantido de pecado. Talvez Vishnu explique melhor esse treco do que eu, mas devo assegurar que fui castigada. Queimei a mala de um israelita errante e disfarçado de transeunte, motivo pelo qual fez aquele indivíduo avaro me seguir com passos rápidos. Eu atravessava a rua, e ele parava do outro lado me afrontando e, muito provavelmente, recitando maldições cabalísticas. Posso jurar que vi a cabala estampada na cara dele. A culpa foi toda do cigarro - tentei explicar sem chegar perto. Mas ele não me entendeu. E me excomungou, lançando anátemas na minha cara, que limpei como o candomblé me ensinou. Consegui fugir do cara. A vida dos sentimentos, é extremamente burguesa... Não tenho o menor intuito de ser deprimente ( o que tem sido difícil evitar), mas tem uma merda de um copo de cerveja vazio na minha frente, que só me obriga constatar o óbvio: infelizmente, a humildade é algo kitch para a maioria das pessoas. Queria ser surda... mas que se foda! Esta merda toda acaba desencadeando um endomorfismo, que é o meu pior vício. Capaz de me fazer comparsa e vergonhosamente dependente. Como uma cúmplice... Sempre enganada por esta forma de metamorfismo. Coisa mais ridícula. O problema é que a gente é fraco e sempre cai no buraco. E quando o buraco é fundo... Pode até acabar o mundo, mas apesar de tudo isso, eu vou dizer uma coisa, e de uma maneira muito franca: eu já intuía, e quero (agora) que se foda! E de maneira bem independente e honesta, como eu não vi ainda.
Ah, Gevaerd...isso aí já é exagero, ce não acha não... Para devorar o que eu tinha nas minhas mãos e não pude prestar a devida atenção, desliguei o som e o mundo lá fora, fechando a porta de entrada com chave tetra. Eu nunca consigo chegar a tempo em casa, mas dessa vez eu me esforcei, me abandonei ociosamente e reli o livro inteiro em questão de minutos. Pensei em genialidade. Os 100 Menores Contos Brasileiros do Século provam isso por a + b. E eu reli mais uma vez, olhando para aqueles contos que apesar de minúsculos (alguns possuem 2 ou 3 palavras) diziam mais que um tratado qualquer poderia tentar explicar. E as assinaturas recolhidas ao lado de cada texto, me deixavam a vontade para sorrir. E foi uma das melhores noites da semana. Aquela que eu passei sozinha, lendo um livro de algumas linhas. Quando o melhor sentimento é a imparcialidade, a melhor companhia é a solidão. E o silêncio vira homeopatia. Depois da vaca ter ido para o brejo e eu ter caido sentada na entrega do prêmio Shell, resolvo deliberadamente isolar minhas Leguminosas osasquianas no canto da sala, e dar uma atenção especial às minhas prováveis chances de ressuscitar o corpinho torturado pela semana. Ou acabar com ele de uma vez por todas. Tenho me confundido com samambaias herborizada e, por conta disso, evito meus trabalhos no ramo da botânica. Ontem comprei meia dúzia de cerveja Sol (e limões para acompanhar toda essa frescura) só no intuito de comemorar a quaresma que acabou comigo. Até o Marvin Gaye riu da minha cara, e apesar de estar numas de perturbação espiritual, tem me ajudado nessa história de salvação. Agora eu quero que tudo mais vá para o inferno, e assim, poder me ver livre dos dos ovos, dos peixes e da páscoa, que acaba sendo boa só pelo feriado mesmo. Depois disso vou começar a pensar em yoga e Taichi Chuan. A final de contas, bem aventurados aqueles que levam uma vida saudável e lêem 1984. Dessa vez eu me contive no show da Prado Blues Band, e por mais que os ventos forçassem contra, eu não dormi em cima da mesa. Eu vou contra as leis de Newton e ai dele de me subestimar. Bobagem... Mas de qualquer forma, e de uma maneira bem comportadinha e pouco trivial, tomei meu Jack Daniels (sentada) e fiquei escutando o som daquele cara (Ivan Marcio, se não me falha a memória), que eu intitulo como sendo o maior gaitista do Brasil tocar. Tudo bem que eu perdi a estréia de Getsêmani, mas domingão tem mais e eu não posso perder esta montagem por nada (a não ser que eu me mate antes). E que bode que nada. Eu fiquei é muito puta mesmo. A minha mesinha reservada na frente do palco estava ocupada por um bando de velhaco babão, e eu fui conhecer a casa. Só de sacanagem, mesmo. Para ver se aquilo tudo era real ou obra de meu inconsciente imaginário. Na realidade a culpa de todo atraso foi minha, que ao invés de ter pego um ônibus convencional, fui me meter a besta de tentar aquele meio de transporte alternativo (e clandestino) de carros caindo aos pedaços, que te deixa lá perto do Carreffur, limite com o Bronx vicentino. O motorista estava meio injuriado com a vida, e eu tive que esperar quase uma hora até sair do Jabaquara. O resultado é que acabei chegando no bar prá lá de meia noite. E é lógico que a casa já estava lotada... e é lógico que a minha mesa estava ocupada... Mas o show ainda não tinha começado, então eu ganhei um JD e fiquei alegrinha. Faz parte do jogo... e nas minhas andanças, me surpreendi com aquele bar estendido à na praia do Itararé. Vale a pena conhecer. Mas na verdade, o mais surpreendente da noite, foi o fato de ter reencontrado uns amigos que não via há muito tempo, e que estavam organizando aquele treco todo de blues à beira-mar. Uma surpresa, mas tinha que ser assim... eu sempre soube que aquele cara jamais largaria sua gaita. E não largou. Talvez tivesse preferido ter uma vida de análises clínicas, mas até onde eu sei, deixou toda a merda de lado e se deixou levar pelas produções de shows de blues de primeira linha na terra do cacique. Bartira deve estar feliz da vida, e eu já deveria ter notado que isso era lance do bluesman mais napudo da história. Salve Paulinho, que sabe como trazer alegria para os índios! Já o Ratão é um caso a parte (excluindo minha professora de botânica dos tempos de faculdade). Esse aí, que tomava Pitu, adorava pão com mortadela e assistia Monty Phyton, trocou de nome para Kleber, se intitula membro sociedade internacional da consciência de Krishna e prega o Bhagavad Gita nos bares da Vila Madalena. É Ratão... você se sobressai com essa história de permanecer num bar transcendendo e renegando a bebida (e a proteína animal - você ainda vai ter um chilique com essa coisa toda). Haribol para você que, sem dúvida alguma, vai pro céu. Mas como eu não vou, e quero mais é que meu corpinho se degenere na terra com bastante colesterol, para alegria dos vermes necrófagos, após a apresentação me deu muita vontade de comer batatas com chedder acompanhadas de picanha com alho e salada de agrião, e de assistir à uma apresentação do Mr. Mojo lá por São Paulo. Agora é só esperar. É uma ficção que não é lenda.
- Enviado por: Marisa Lobo
às 20h36
[ ]
[ envie esta mensagem ]
MULHER DE ATENAS
- Enviado por: Marisa Lobo
às 14h14
[ ]
[ envie esta mensagem ]
REM em estado febril
- Enviado por: Marisa Lobo
às 11h23
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Para não dizer que não falei
- Enviado por: Marisa Lobo
às 18h29
[ ]
[ envie esta mensagem ]
- Enviado por: Marisa Lobo
às 16h34
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Roubada de Quinta
- Enviado por: Marisa Lobo
às 05h29
[ ]
[ envie esta mensagem ]
rrssss Os mórmons também têm seus ETs rrssssss
- Enviado por: Marisa Lobo
às 13h23
[ ]
[ envie esta mensagem ]
O Menor dos Melhores
- Enviado por: Marisa Lobo
às 10h35
[ ]
[ envie esta mensagem ]
- Enviado por: Marisa Lobo
às 22h56
[ ]
[ envie esta mensagem ]
- Enviado por: Marisa Lobo
às 19h10
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Prado Blues Band
- Enviado por: Marisa Lobo
às 03h49
[ ]
[ envie esta mensagem ]
A Frente Fria
- Enviado por: Marisa Lobo
às 16h59
[ ]
[ envie esta mensagem ]