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Com este calor todo, eu, que sou feita da maldita matéria orgânica morta, entro letargicamente em estado de putrefação. Situação crônica, que tende à condição avançada de decomposição. Isso incomoda. Pedaços de sola de sapato são fundidos ruela abaixo, e eu maldigo os restos mortais pegajosos de Homo Sapiens degradados pelo tempo, sem vento. Num lapso, tento me congelar numa Brastemp azul 1.900... e , numa tentativa frustrada de recuperação da temperatura corpórea ideal. Um frango velho no congelador ocupa meu espaço desejado e eu morro mais uma vez, só que de inveja. Nisso eu viro uma ninharia de galinha-d’angola sofrendo de algo similar ao mal de Parkinson e sinto o fator limitante do “acima de 30” pegando pesado na minha capacidade respiratória. Bendita seja a azeitona salobra, tanto na terra quanto no céu. E durante a noite, eu me vejo esmaecida nesse albergue de almas indigentes... Já contei 3 desde a infância. E apodrecemos todas juntas.
Daqui a pouco encaro as curvas de Santos para pegar um sol na cara. Vitamina D pura. E para tentar provar que minha caiçara city não é só um esgoto praiano pousado a céu aberto, hoje, às 17 horas acontecem as palestras do Marcelino Freire e do Luiz Ruffato, e às 19, do Nelson de Oliveira e João Anzanello Carrascoza. Tudo isso lá no Café Cultural do pavilhão do Sr. Proprietário-de-Santos “Mendes Convention Center”. As palestras fazem parte da Feira Nacional do Livro, que vai rolar até domingo. Eu vou estar lá, só que desta vez, tentando me manter bem afastada da tal black music vizinha, e aproveitando este milagre para ver se descolo uns ETEs provenientes de um planeta esfumaçado, ou até mesmo, quem sabe, umas rápidas abduções para bem longe daqui.
E parece que o pessoal anda curtindo. O Eduardo Haak, que conheci pelo meio cyber dessa coisa chamada orkut foi ver o Herói nesse final de semana e parece que curtiu bastante. Vou postar aí em baixo um trecho do comentário que o cara escreveu em seu site, devidamente lincado aí ao lado. Valeu Eduardo!!
DUAS TÁBUAS, UMA PAIXÃO E UM MONTE DE CADEIRAS DE PLÁSTICO Pois bem, pois bem. Acabo de me acomodar no recinto em que se dará a apresentação de O Herói Devolvido. As cadeiras da platéia são de plástico - dessas de boteco onde a gente geralmente se senta pra tomar umas brejas. Música do Wilson Simonal tocando na caixa, ar-condicionado funcionando no ponto. A noite parece que vai ser boa.
A música vai sumindo até desaparecer por completo. A luz cai em resistência. B.O. Quando o palco volta a se iluminar, há um ator em cena. Marcelo, alter ego de Marcelo Mirisola. Imaginem alguém fisicamente parecido com o Marcos Rey, com uma peruca loira estilo Hermes e Renato e com um jeito de falar meio parecido com o do Barney, dos Flinstones:
"O que eu gosto nele é a vida minúscula e bem-sucedida que leva. O medo de mostrar o rabo, sujar a gravata. Duarte jamais vai cagar em cima do bolo de aniversário. É do tipo que freqüenta sauna finlandesa às terças-feiras e reputa uma 'personalidade vitoriosa' por conta e obra da colônia importada que usa depois da barba".
Mario Bortolotto, o diretor da peça, optou por enfatizar o lado mais cômico dos textos do Mirisola. Mirisola, à parte escrever coisas de fato muito engraçadas, tem um fundo dramático - desesperado e desesperador. Isso fica patente na leitura de seus contos e de seu esplêndido romance, O Azul do Filho Morto. De qualquer forma, acho a escolha de Bortolotto acertada, de ênfase do esculacho, na esculhambação. Ela funciona maravilhosamente no palco. A peça vai correndo, hilária, cheia de vitalidade e elã. O elenco é extraordinário - todos, sem exceção, estão ótimos em cena: um cara que faz um michê gaúcho que não transa com gremistas, uma tal de Pelancuda, Marisa Lobo como uma garota de programa que interrompe o tempo todo seu "trabalho de sopro" para dizer, "Pô, cara, você precisa conhecer a Marli!" - isso pra não falar no Marcelo-Marcos-Rey-Hermes-e-Renato-Barney.
A vontade que eu tenho é de erguer o punho e fazer coro aos quatro rapazes de Liverpool: YEAH! YEAH! YEAH!
LAISSEZ-FAIRE Acho que o que fode a cultura mainstrem produzida no Brasil é uma mania de se levar a sério, um misto de academicismo com politização que dá, invariavelmente, em merda. Não sabemos, ainda, ser livres. Não nos acostumamos com o espírito de livre-iniciativa em matéria artística. Ainda estamos condicionados por exigências que provavelmente algum mané na década de sessenta determinou que deviam nortear a produção artística. É incrível, mas depois de quase vinte anos de redemocratização no Brasil tem nego por aí que ainda tá querendo derrubar a ditadura. Oras, meu caros, por que não vão chupar parafuso pra ver se vira prego?
Mas nem tudo, nem tudo está perdido. Acredito que essa geração de novos atores, dramaturgos e escritores - dos quais Mirisola é o mais proeminente e, talvez, o mais talentoso - vá dar um toco no marasmo em que nossa vida cultural há tempos está afundada. Contrariando aquilo que Nietzsche falou - não existem fatos, só interpretações -, eu afirmo: contra certos fatos - a incrível qualidade artística dessa moçada - não há interpretação possível.
THAT'S ALL, FOLKS! É isso aí. Tá mais do que dada a dica. A peça é um tesão - e, se vocês ficarem com muito tesão ao sair da peça, saibam que a região do teatro é farta em matéria de possibilidades sexuais. (Só não esqueçam da camisinha, hem? Afinal, camisinha usada é ressaca de caralho esclarecido.)
O HERÓI DEVOLVIDO, de Marcelo Mirisola
Adaptação e direção de Mário Bortolotto
Terças e quartas, às 21h30
Espaço X Praça Roosvelt, 124 Centro - São Paulo
Telefone: 3255-2829
Foi delirante e estabanadamente gostoso fazer o Herói nesses dois dias. O vinho que entortou metade dos 80 convidados presentes na estréia detonou também as minhas cordas vocais, que tiveram que fazer acrobacias junto com minha putinha para dar as caras no segundo dia. Arranquei metade dos adereços do meu comparsa de cena, e fiquei feliz por não tê-lo prejudicado em demasia.
Uma falha e uma vergonha.
Mas no fim, tudo saiu bem, e eu já não vejo a hora de estar ali novamente.
Creio que vai ser muito bom fazer esta temporada no Teatro X.
Aliás, já está sendo.

Depois de um bom tempo longe de casa, a Frente Fria voltará à sua cidade natal para rever os parentes.
E darão uma festa na laje para comemorar.

Definitivamente não dá para competir com o Carnal Desire... Além daquele gordo ser muito mais simpático que eu, ele ainda consegue ter poderes capazes de destruir qualquer outra atividade cultural que ocorre concomitantemente á sua simples presença. Seus poderosíssimos raios metafísicos de tons flamingo e preto superam qualquer voz esganiçada como a minha. Grande vocalista! Os caras tocando no saguão ao lado, me enlouquecendo numa tentação infernal, enquanto eu pousava conflitante na escadaria suja, numa tentativa frustrada de concentração. Quando, quase num estado incontrolável de transe, eu saia correndo em direção ao som do gordo vocalista, um bêbado maníaco por banheiros invade o "camarim" me confundindo com Tarso Wiedark, O Grande. Eu tento explicar que aquilo não era show de bate-cabeça, e que, apesar da aparência, eu estava ali só pra fazer uma cena. Ele não entendeu, mandou eu sair da frente e fez o som da intriga vazar para o palco. Eu estremeci, e dei passagem. Cadeiras arrastavam. Platéia lotada. O som falhava, e os atores desconcentravam. Celulares enlouqueceram nosso protagonista que num discurso de ética, colocou o infeliz no lugar. Celulares voltavam a gritar. Nisso, colocamos o pobre Rogério Manzzano de castigo. Ficou mais de hora segurando o "i" no inconveniente quadrado de 1x1 m, confinado no Campo de concentração do clube caindo aos pedaços, só pra defender os candidatos a vereadores e vice-prefeitos dos morcegos e desajeitos provenientes do desestruturado espaço. Mas apesar da fauna coadjuvante, do som falho, do nível de uréia superado, do joelho fudido, da luz escassa, da tensão e da invasão à toa, valeu a pena. E depois da deliciosa apresentação, eu corri para o show. Como era de se esperar...
“Curta Passagem - três pocket peças”
Com a cia Pernilongos Insolentes Pintam de Humor a Tragédia.
O espetáculo é resultado da reunião de três cenas curtas escritas por Mário Bortolotto: O nosso jeito diet de ser, Faz frio na varanda e Another day.
O autor, que também assina a direção, mostra o seu lado soft, discutindo relacionamentos humanos de forma bem humorada, através de personagens líricos que vivem situações extremas no interior de pequenos apartamentos em uma grande cidade. A idéia é deixar o espectador como um voyeur espiando a vida alheia pelo buraco da fechadura.
Elenco: Claudio Fernandes, Márcio de Souza e Marisa Lobo
Duração: 60''.
Dia 19/09 (domingo) - às 20 horas, no Teatro do Clube Atlético Santista.
Entrada Franca!!!
O Herói Devlovido
de Marcelo Mirisola
Adaptação, direção, iluminação e trilha sonora: Mário Bortolotto
Fotos: João Caldas
Programação Visual: Aline Abovsky
Produção: Fábio Espósito
Com:
Fábio Espósito,
Aline Abovsky,
Ester Laccava,
João Fábio Cabral,
Leandro Goddinho,
Marcos Amaral,
Marisa Lobo,
Wladimir Trevizzano,
Sylvia Malena
Terças e Quartas - 21h30
Teatro Espaço X
Pça. Roosevelt, 124 – Centro
Há uma predisposição genetica para a dependência. Pois é, isso é uma coisa que me faz rezar. Mas dessa vez eu vou pedir para os meus anjinhos um kit de benzodiazepínicos*, um livro sobre como se livrar dos maus hábitos e um computador novinho. Deveria haver uma campanha contra a droga do computador. Quem tem a doença, sabe que é um desejo similar a todas as drogas que produzem dependência, embora haja uma sutil diferença no seu efeito fisiológico e comportamental. Mas no fundo, no fundo, é tudo a mesma coisa. A ladainha é igual.
Dessa vez, foi longe demais. E pensando na minha saúde mental e financeira, me encostei na parede e me obriguei a optar entre a net e o depressor dose-dependente do sistema nervoso central. Resolvi largar temporariamente o mundinho cyber, e cair de cabeça na boemia, veja porque:
Sempre esqueço meu óculos em casa
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Resumindo a ópera, cansei da net.
* benzodiazepínicos: ansiolíticos mais usados em todo o mundo, considerado um problema de saúde pública Não quero perder muito tempo nisso aqui, mas tenho um comunicado importante: Depois de dois anos morando nesta cidade, resolvi criar vergonha na cara e comprar um celular local, para facilitar a vida de todo mundo. Mandei o número para algumas pessoas por e-mail, mas posso ter cometido o grave erro de ter me esquecido de alguém. Favor, sem ofensas. É só comentar que eu mando o número. Coisa simples. Sozinha no apartamento pequeno, esperava a dupla degolação pelo fio de pentelho do Cacique. Au revoir!
- Enviado por: Marisa Lobo
às 13h53
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Comunicável
- Enviado por: Marisa Lobo
às 12h50
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Festival da Degolação Americana
- Enviado por: Marisa Lobo
às 19h53
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