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Pro cara que me salvou à noite

Mas em compensação, tem gente que cultiva a benevolência como quem cultiva alface na hortinha dos fundos. E faz questão de colocar na mesa na hora do almoço. Todo santo dia. Isso é tão raro, que me enrubesce. Por isso tem gente que vai passar de fase com três vidas sobrando. E vai pro céu sem esforço algum. Talvez, mesmo em terra firme, já pise em nuvens e toque um certo tipo de harpa à noite. 

 

Em sonhos.

 

Nem sei como dizer....

 

Obrigada Marquinhos.

 

Muito obrigada.



- Enviado por: Marisa Lobo às 10h22
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Maneiríssimo

O Rio de Janeiro continua quente.

 

E eu passava mal de calor, enquanto os cariocas se agasalhavam e tremiam. Essa é uma cidade estranha que tem um restaurante que só vende saladas e sanduíches de sojas. A gente comeu lá um dia. Mas só um. O resto a gente passou numa churrascaria e eu nunca comi tanta rúcula com brócolis na minha vida. Essa foi a parte ruim da viagem. Aliás, a única parte ruim, mas só pra quem não conseguiu fazer dieta e precisava ficar de biquíni em cena. Ainda mais numa cidade onde todo mundo tem medo de engordar.

 

E a “pat pançolina” foi lá exibir seu panceps na terra das “mina malhada” e ficou tímida na frente das pessoas. Mas na verdade, depois de alguns minutinhos ela desencanou, deu um up na vida, e foi curtir numa boa. E o espetáculo foi uma beleza, em todos os sentidos. Eu, já esperava por isso e pelas cervejas nos quiosques da orla.

 

É sempre muito bacana fazer essa peça, e pra fazê-la não tem tempo ruim não. Para ela, “qualquer ceuzinho estrelado já ta valendo”. E não vejo a hora de começar tudo de novo.

 

É um vício delicioso.



- Enviado por: Marisa Lobo às 17h31
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O QUE RESTOU DO SAGRADO

"Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa"

(Tiago 4:13-15).

 

Não sei se acredito em Deus. Às vezes penso que deixei de acreditar. Deixei de acreditar em Deus, quando vi minha irmã e meu sobrinho definharem numa sala fria, quando minha mãe tentou se matar, quando apostei todas as minhas fichas num caminho errado e quando vejo que o mundo só tem abismos para oferecer. Ás vezes só quero fechar os olhos e nunca mais abrir, e toda vez que acordo, eu deixo de acreditar um pouquinho mais em Deus. Mas acredito quando vejo uma flor numa árvore queimada do cerrado, quando vejo seus troncos tortos e sua defesa contra o fogo. Acredito em Deus, quando vejo caravelas e suas interações inter-específicas, o milagre do feedback positivo e das reações hormonais, ou quando vejo a nadadeira dorsal da rêmora fixada no tubarão num comensalismo lírico e vital. Mas fora isso, dentro da porca humanidade, Deus parece ser aquilo que a gente inventa pra poder dar um sentido egoísta na nossa porcaria de vida. Porque hoje, parece que nada mais tem sentido, e as pessoas vivem apenas em função do próprio umbigo. A gente poderia inventar um amigo invisível. Vai ver que Deus é só isso mesmo. Um amigo invisível. E sua misericórdia foi inventada só pra conseguir dividir um apartamento quando não se tem grana pra bancar um sozinho. Nada tem valor. E quando existem, estes são meramente egoístas e o altruísmo ficou destinado aos babacas. O melhor passatempo da maioria das pessoas é humilhar e diminuir os outros só pra poder se sobressair nesse mundo cheio de carne humana apodrecida. Não há espaço para o sagrado. Não restou nada dele, nem ao menos as migalhas. E por isso pra mim, a mais nova (e talvez a melhor)peça do Cemitério de Automóveis - O que Restou do Sagrado - é um moedor de carne humana. Ali, escoria do mundo foi triada, e jogada numa igreja para que esta se arrependa de seus pecados. Mas nessa peneira, de puro só ficou a bíblia mesmo. E a gente faz parte dela. Dessa escória do mundo. Uma metralhadora giratória apontada pra platéia, que atira sem anunciar. Não há como sair leve, porque não existe inocência em ninguém. É um chute na alma. E você ri. E logo depois, se arrepende por ter rido de algo assim. É inadmissível ser conivente, mas você é. É a escrotagem da tua alma te denunciando. Eu, compartilhei. Ri. E fiquei com raiva de mim mesma por ter rido. É a arma apontada pra ti. É a arma que escancara a podridão que todo mundo é. Só que a gente não precisa de demônios para descobrir o quão escrotos nós somos, e não adianta passar um lápis no olho para ter uma aparência melhor. A alma, já ta apodrecida, e não há mais contrição, redenção, credo ou caminho de volta. Só um eterno pedido de clemência. Em vão.



- Enviado por: Marisa Lobo às 13h43
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Cara bem falado pra caralho.

- Puta Merda! Tu não é o psicólogo amigo do Mirisola???

 

Essa sou eu, mais uma vez tentando resgatar os restos mortais de minhas reminiscências. Minha memória anda parecendo uma caixa de som com mal contato, mas minha duplinha de neurônios mal sucedida, ressurgiu das trevas e conseguiu desempenhar um belo trabalho. To orgulhosa dela. E depois disso, só faltava mesmo lembrar o nome do cara, porque apesar de não gravar nem o sobrenome da minha mãe, eu não conseguiria deixar de abstrair o papo ligeiro e agradável daquela mesa de bar. E ele mesmo mencionou. Foram divagações sobre matemática e notas musicais... Não era de surpreender que sua memória fosse melhor que a minha. Nilo é um simpático escritor-psicólogo-casca-grossa-amigo-do-Mirisola-made-in-Floripa, que conheci depois de uma apresentação do “Garotas da Quadra”, que rolou lá no Teatro Cultura Inglesa e que vai lançar hoje seu primeiro (e super esperado) livro de contos na Mercearia São Pedro, às 8 da noite. Ele me garantiu que pode chegar às 8:30. Eu, vou ter que chegar às 10. Só depois de devolver o Herói no Teatro X. Mas vou estar lá.

 

To curiosa pra ler o cara.

 

Esse, também tem muita coisa pra dizer, e eu aposto minha duplina nisso.

 

Pornografia Pessoal (de um ilusionista fracassado)

Nilo Oliveira

Editora Baleia

Mercearia São Pedro, às 20:00 ou 20:30 (Tanto faz)

Rua Rodésia, 34, Vila Madalena, SP.

 

 



- Enviado por: Marisa Lobo às 11h59
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Sou adepta de seu caráter adquirido, Marcelo

Tem gente que é capaz de largar uma vida de “homem de bem” para se entregar aos prazeres mundanos do mau. Mirisola fez isso, e ao invés de se transformar num ébrio espírito de porco inconveniente, se deu bem e se transformou num escritor de uma genialidade perturbadora ímpar. Privilégio de gênio. Mas se Deus quiser, e o rebanho da comunidade orkuteira deixar, ainda haverá de ser montada a legião dos Seguidores do Pensamento Mirisoliano da Salvação e eu vou arrumar um emprego lá. Vou batalhar duro pra fazer parte do corpo de direção, e assim que entrar, a gente vai escutar Piazzola o dia inteiro, comer batatinhas sabor churrasco, pedir pizza Mezzo calabresa - mezzo mozarela e devorar pastel engordurado na feira de domingo. É um treco difícil falar sobre Marcelo Mirisola. E eu acho que nem tenho cacife pra tanto, mas deu vontade e eu vou falar. Foda-se. Aqui eu posso falar de amigos sem nenhuma restrição! Mas o problema é que ele é o único cara, que, ao mesmo tempo em que argumenta a sua posição bestial de seu último mapa astral, consegue misteriosamente, escutar meus palpites sobre ruderais invasoras, enquanto tenta me convencer a andar de patins na calçada do Leblon, ou passar umas tardes em Ituporanga, a inesquecível terra da cebola. E tudo isso com a maior lógica do mundo, dá pra entender??? E seus livros me despertam uma sinestesia que beira sabores amargos, tons rubros sarcásticos e tangos melancólicos... E quanto a isso, meu cérebro lida de maneira distinta e quase infantil. Não dá para compreender. É um treco orgânico, perecível à alma e visceral! Às vezes chega a doer.

 

Bão, que eu sou fãzoca do cara, todo mundo sabe, mas explicar o porque, é uma tarefa árdua que exige uma disposição que vai desde o resgate doloroso das doencinhas perdidas na alma, ao desembaraço dos cabelos de baixo, numas férias na bucólica Maresias. Tudo com muito sarcasmo, extraído com uma certa exigência.E como fãnzoca de carteirinha e registro no IPHAN, passei os últimos dias me embriagando com o seu Bangalô, livro pelo qual tive o privilégio de ser mimoseada pelo próprio autor, que ainda me congratulou com uma discreta dedicatória que falava sobre amor... Realmente, pra ele é sempre tarde demais, caro Marcelo. E tarde demais, foi o momento que escolhi pra ler esse livro, visto já se passava um ano desde seu lançamento, e até então eu ainda não dispunha de um exemplar. Vou apanhar do rebanho da legião. E seu Bangalô, se apropriou de minha cabeça por instantes, fazendo meu cérebro-ermitão solitário sentir cheiro de casquinha de siri com café amargo, e se jogar pra fora do aquário. Fiz companhia aos mongolóides criados em estufa. Nesse momento tive a impressão de ter sentido areia entre os dedos, gosto de azulejo - ou de massa corrida - na boca e de ter visões slideanas de barquinhos de papel na minha parede descascada. E para ser bem lugar-comum, lembrei mais uma vez de Piazzola e do canto amargo do Tom Waits. Experiência imperdível. Ainda não terminei, mas é sempre muito alucinógeno correr suas frases. Concordo com a Fernanda, quando ela diz que Mirisola é um cara exagerado, e que seu livro tem que ser lido de maneira rápida. Rápida demais, senão você corre o risco de se afogar.

 

Ler os livros do cara, é sempre como assistir “Quero Ser Marcelo Mirisola” na direção do Mário Bortolotto.

 

E é sempre um bom filme.



- Enviado por: Marisa Lobo às 13h27
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Meu Deus do céu... porque será que eu ainda acho isso tão engraçado???



- Enviado por: Marisa Lobo às 16h12
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Chilique

Tem alguma coisa corroendo tudo por dentro. Ta doendo. Eu só to tentando entender o que passou por ali. Cai de madura, mais pálida que a senhorita Palmer no seriado predileto da Duval, e não vi nada. Fiquei em dúvida se culpava a terra batida de Maresias, a bucólica praia de Paúba ou a picanha mal passada de final de semana. Ah Santa Rita ou Santa Lúcia.... jamais a Itaipava! Absolvi a plataforma abandonada e o cheiro de petróleo, e resolvi jogar tudo em cima do caixa 24 horas que fecha às 22:00. Decidi que seria mais sensato. Causos bancários sempre contribuem com as mazelas de minha vida, e uma noite em banquinho de rodoviária causa um descontrole emocional e físico aberrante. Mas passado o desconforto, e já com dinheiro recém cuspido na mão, perdi o controle do ponto zero e vi que ia cair. Deitei. Do ponto de vista de baixo, várias cabeças se voltavam para mim como se eu fosse o último achado de Alfons Hug para a XXVI Bienal de São Paulo. Minhas malas espalhadas, revelavam ao terminal, os resquícios de uma vida mesquinha de insignificâncias. Um pacote de absorvente diário, touca de cabelo, máscara de mergulho verde, blusinhas coloridas, meias sujas, um pacote de massa com ovos e lápis de olho da Max Love. Flashs de uma noite talvez triste, deixaram um reggaezinho barato ecoando dentro de mim e eu fiquei trêmula dos pés a cabeça. Por um instante, virei uma instalação danificada no meio do burburinho do metrô Jabaquara... três minutos de escuridão e constrangimento, ali na frente do café da velhinha da casa do pão-de-queijo. Um desmaio e um médico de plantão olhando pra minha cara. Causei um tumulto temporário. O primeiro rumor do dia para os transeuntes da estação. Legal. Agora eles já teriam assunto até estação Sé, no acesso à linha três, vermelha - desembarque pelo lado esquerdo do trem. Eu caída aos pés do banquinho de madeira, tentava explicar ao médico de plantão e aos espectadores do meu show, o contra-senso de uma gravidez e da probabilidade de uma mera pressão baixa. Virei alvo de uma ligeira dissertação de tese, onde, com seus empíricos conhecimentos, todos palpitavam sobre as possíveis causas de minha queda livre. Lá vamos nós outra vez.... To arrependida. Agora carteirinhada, eu deveria fazer jus às atribuições por ela garantida. Esqueci de passar o chapéu. Só uma questão de honra e de mais um trocado a mais no bolso.



- Enviado por: Marisa Lobo às 14h45
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A saga da carteirinha

Santo Marvin faz milagres!

 

E dia desses vou peregrinar até Nossa Senhora da Aparecida e deixar lá um punhado de tulipas vermelhas e uma perna de plástico para cumprir minha promessa.

 

Tua imagem vai chorar sangue, menino!



- Enviado por: Marisa Lobo às 17h41
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Satyrianas correndo solta lá na Praça Roosevelt, e eu tendo que fazer um esforço incrível pra fingir que ela não existe.

 

Isso é tortura.

 

Os privilegiados que não percam, porque eu, vou ter que comer barriga - mais uma vez.

 

Teatro dos Satyros fica na Praça Roosevelt, 214, e de ontem até 03 de Outubro, você pode aparecer em qualquer horário.

 

Qualquer um mesmo.

 

Droga.



- Enviado por: Marisa Lobo às 10h02
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