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* Comentários dispensáveis de Paulo F. a respeito da vida.....
Marombeiro é tudo igual.
Só sabe beijar bíceps e dar palpite sobre teu treino. Não adianta ficar quieta no teu canto. Por mais que você se esforce, sua privacidade vai ser corrompida. Invariavelmente.
Às vezes eles também dançam na frente do espelho. Meu Deus. Nessas horas recorro a Shiva, mas não adianta nada. Ao contrário: aquelas formas triangulares invertidas com uma bolinha em cima chegam até você com aquele olhar galã, passando a mão no peito suado e fedido, perguntando se faz tempo que você treina ou se mora por perto. Toscos. Nessas horas eu paro meu treino, e olho bem pra cara do condenado. Não respondo nada e mudo de aparelho. O treino sai cagado, mas eu fico livre dos malditos Schwarzeneggers viciados em Deca Durabolin.
Agora eles me acham um nojo, e me olham estranho.
Bom, eu prefiro assim.
Até ontem à noite ele estava editando seus exemplares. Um trampo dos demos.... O cara ta fazendo tudo sozinho. Pois é! Células-tronco pro inferno, isso sim é que é totipotência... E vai ser amanhã lá no Milo Garage que o Paulo F. vai parir seu primeiro filho“Sobre o Infinitivo”.
E eu, vou estar por lá para conhecer a criança.

Descobri um parente suicida. Próximo, bem próximo. Umas duas gerações se não me engano... Bobagem. O cara tinha um par de pernas entregues à gangrena, trocentos filhotes pra mamar, uma casebre na roça, uma esposa, e nenhuma morfina (ou cachaça) por perto. Só mato e desgraça. Isso sim era dor, imagino. Diferente da minha, que passa a ser física depois de um “boa sorte, menina e fique com deus e entregue às suas contas a pagar”. Mas esse cara tomou veneno de rato para se livrar das dores. Acho que fiquei sem piscar por uns vinte segundos quando escutei essa história. E na semana passada, nessa mesma na cidade, fiquei sabendo de dois irmãos que deixaram suas esposas e filhos a deriva, depois de terem cometido o mesmo ato de covardia. Tudo por culpa de dívidas... como se elas fossem apodrecer junto. Bobagem.... Nem os bichinhos necrófagos são tão bestas. Tenho dó dessas mulheres. Aposto que logo logo empacotam junto. Mas parece que um deles não morreu, e ta na UTI. Contra sua vontade. Aposto que vai ficar puto quando descobrir que não ta no céu, e vai, definitivamente, ser obrigado a engolir que o inferno é aqui, e que não dá pra se safar tão fácil dele não. E ainda vai ter que escutar sermão da mulher, que vai seduzi-lo a uma segunda dose de coquetel de detefon... Isso é, se não for largado num hospício pela família... Eu, sinceramente, espero não chegar a esse ponto. Ainda tem muita coisa a ser feita e empréstimos a serem conversados. Mas mesmo assim, em algumas horas escuras e no meio das contas acumuladas, eu vigio o alien que tenta sair da minha barriga. Eu tenho certeza disso. Vou parir um extraterrestre como a Sigourney Weaver. Vou chamá-lo de Zammis, em homenagem ao Bumper Robinson e ao Dennis Quaid. E Zammis se mexe toda vez que acordo a noite com um ruído enorme na boca do estômago. Nessas horas não meço esforços e cubro a cabeça com o lençol, como uma criança com medo de escuro. Tenho questionado seriamente se tudo isso não é só uma porcaria de um pesadelo, mas logo concluo que não dá pra ser um simples sonho ruim. Sonho ruim passa com um copo d’água e eu não comi picanha à noite (dessa vez não, eu juro). É. Ou eu ando louca, ou ando realmente vendo ovnis, etes, duendes, seu Sete Encruzilhada e chupa-cabras por todo canto. E o pior: ando praguejando todos eles. O estado da sanidade é realmente deplorável. A ponto de fazer qualquer psicanalista gozar. Mas eu queria prever o futuro sim! Queria ter um Dellorian igualzinho do Dr. Brown e dormir em paz com meus carneirinhos depois de uma bela viagem no tempo. E queria uma rede embaixo disso tudo. Ou, música para parar de dançar sozinha. Parar de comer pedra e ficar um pouco mais sossegada. E pensar em lírios e na puta que não pariu um ETE pela barriga. E ter certeza que amanhã de manhã, minha vida vai deixar de ser um filme bizarro, e eu vou curtir um fim de tarde sozinha, nas pedras do píer do canal 1. Escutando uma Lisa Ekdahl, e prestando a atenção na porra do por do sol. Coisa que eu nunca fiz. Assim, simples, sem romantizar nada.
Então, eu não vou ligar pra forma como tudo isso vai acabar.
É. Eu to com medo.
E isso é uma forma de terrorismo.
O QUE RESTOU DO SAGRADO
Texto e Direção: Mário Bortolotto
Elenco: Fernanda D´Umbra, Gabriel Pinheiro, Lavínia Pannunzio, Mariana Leme, Mário Bortolotto, Ivan Cabral (Nelson Peres), Wilton Andrade
Sonoplastia e Iluminação: Mário Bortolotto
Operação Técnica: Marcelo Montenegro
Assistencia de Direção: Marcos Feitosa
Cenário: Gabriel Pinheiro
Figurinos: Ofélia M. Lott
Fotos: Norberto Avelaneda
Direção de Palco: Wilton Andrade
Cenotécnico: Régis Santos
Projeto Gráfico: Rodrigo Somer e André Kitagawa
Produção: Fernanda D´Umbra
SERVIÇO
Estréia dia 24 de Janeiro de 2004
Segundas e Terças - 21h30
Ingresso: R$ 10,00
Recomendação: 16 anos
Espaço dos Satyros Praça Roosevelt, 214
Tel: (11) 3258-6345
Herói Devolvido
Adaptação do livro O Herói Devolvido do cultuado e polêmico escritor Marcelo Mirisola (O Grande). Marcelo, o alter ego de Mirisola, vive em Florianópolis em meio a putas e paparicado por famílias classe média. Com seu humor mordaz, cruel e politicamente incorreto, Mirisola não poupa ninguém e destrói qualquer possibilidade de redenção.
Desculpe - nos o transtorno!
Estamos construindo para melhor atender.
E por enquanto é só um nó na garganta incomensurável. Uma saliva misturada com a dor no estômago da derradeira lágrima não soltada. Racionamento de misericórdia dos desalmados. Uma lágrima presa na glândula e mostrada na sarjeta da esquina. Uma medida irremediável. Um décimo terceiro desviado. Sempre entregue às desgraças do vício possessivo. Seu energúmeno desnaturado, que destemidamente, mata a porcaria do tempo com voltas em carro zero e bacalhau ao forno nas sextas-feiras, destinando a genética à mais escura dieta de farináceos. Não tem dó. Nem piedade. Uma graça perdida e uma inocência desgraçada. Cresça com ética e desapareça com mérito. Me descomungue, então. E passe o guardanapo por cima dos copos, esquecendo dos processos fajutos empilhados na mesa da maldita receita. Automaticamente, você vai derrubar o copo por cima da toalha de natal. Paciência. Ouça os gritos e fogos de reveillon e reze para Iemanjá. Nesse ano, de 2005, a soma dá 7. Ano cabalístico, né? Então, dessa vez, tudo vai mudar. E a loucura vai passar por empregada do lar que só vem às terças e quintas. Mas maltrate dias antes da meia noite, e acabe de vez com a raça dos eternamente condenados. E viva seu maldito esmero com a mesma sabedoria e critério dos que souberam lidar com a desgraça da miséria, com luxo. Por cima da carne seca. Sempre arrotando o caviar apodrecido, enquanto mostra na sala, tua cara amarrada e enrubescida pelo vinho português.
Eu sou o lixo que decantou, e depois deu no seu saco.
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* Esse post foi escrito no dia 26/12/04, porém só publicado hoje devido problemas técnicos.
Eu empurrei o Rodrigo do sofá e ele foi vomitar embaixo da mesa. Passei a gostar dele naquele instante. Rodrigo é um sensível vira-lata de três olhos e nenhum rabo.
E não carregava muita coisa, além dos anos marcados na pele: roupas surradas, óculos de muitos graus, longos cabelos brancos e um sorriso que caracterizava seus traços. Chegava silencioso, carregando sempre sua fome por espetáculos e um saco plástico verde. Talvez, proveniente de algum supermercado das redondezas. Era sempre o mesmo. Devia estar acostumado a comprar por lá. E se lembrava da gente. Enchia-o de doces antes da próxima sessão. E nos presenteava com uma humildade angelical. Seus gracejos e cortesias me acanhavam. E muito. Nunca achei que merecia aquilo. Mas ele sempre voltava, com seus doces, seu sorriso, sua simpatia e sua admiração. Talvez a mais franca. Que não previa reciprocidade. Só uma aproximação. Era pela sua admiração. Era a nossa admiração. Uma pessoa rara. Meiga. Ímpar. Talvez fosse uma forma de nos mostrar seu entusiasmo, que transgredia suas palavras e sua timidez. Tudo isso para nós, provavelmente os poucos personagens da sua história. E mesmo assim, distantes. Numa distância de poucas cadeiras, e poucas palavras, dentre muitas pessoas. Talvez ele até prezasse isso. Tem gente que vive de silêncio e se sente muito bem assim. E suas palavras, que eram poucas e bem faladas, já eram ditas com uma certa dificuldade. Vivia num mundo solitário e num tempo abandonado, preenchido por peças de teatro, cinema e algumas manias distintas. A gente gostava, e se orgulhava de ter ele na platéia. Ele sempre estava. Mas ultimamente, ele andava sumido.
E ontem, no telefone, Fernanda chora, e me diz que ele não vai mais estar lá. Nem aqui. Nem em lugar nenhum. HAMILTON BARBUTO morreu no seu apartamento em Novembro do ano passado, sozinho e sem incomodar ninguém.
Mas a gente queria ser incomodado. E dar tchau para o cara que, mesmo silenciosamente, deu o elogio mais sincero que qualquer ator pode receber:
O da sua fiel presença.