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Existe uma bela crônica do Fábio Torrente no blog “Crônicas com Picles”.
Um luxo. Lá, ele conta a história de um professor cego que se apaixona por sua aluna apenas pelo som de sua voz. Existe também um texto, no qual essa mesma crônica foi adaptada, que nunca foi publicado... sempre achei uma pena. Ou uma covardia.... Ela faz parte da peça “Clarice... que tudo mais vá para o inferno”, que montamos em meados de 2000. O texto é baseado em alguns personagens de diversos contos da Clarice Lispector. O cara juntou tudo e fez uma sopa de letrinhas interessantíssima.... Até hoje organizo uma torcida para exigir a publicação destes e outros luxos saídos da cabeça desse autor. Mas mesmo assim, o cara cisma em me contrariar. É um desperdício.....
Da natureza:
"Nada se tira a não ser fotos
Nada se mata a não ser o tempo
Nada se deixa a não ser pegadas
Nada se leva a não ser a saudade
E nada se transforma a não ser sua alma"
Do espetáculo Herói Devolvido,
Nada se tira, muito menos fotos
Nada se mata a não ser a cerveja
Nada se deixa a não ser a entrada
Nada se leva a não seu canhoto de ingresso
E nada se transforma, a não ser a cevada digerida"
É proibido filmar e/ou fotografar os atores em cena, sem autorização da produção do espetáculo.
Evitem maiores constrangimentos e a possibilidade do recolhimento de seus pertences de estimação...
Muita gente vive a desencorajar os outros, e eu acho isso bem triste. Dias desses atravessei a rua, fui até o templo budista, e consegui parar de chorar à noite. Eu queria o abolicionismo de um tipo de dissuasão. O da flexibilidade de caráter. Queria ver algo inalterável nas pessoas. Fazer disso uma crença, uma religião. Vi muita gente santa vagando por aí. Essas pessoas falaram comigo. Outras conviveram. Mas metade delas já está morta. Mas essas pessoas me fizeram pisar com convicção nessa inocência, e para muitos, a contrapartida, serve como esporte de tiro ao alvo contra o inimigo. E sai atirando aleatoriamente. Isso deveria ser feito de uma forma menos dolorosa. Eu argumento contra a relevância das estatísticas, sim! Acredito numa forma de bondade porque vi. Acredito que elas possam não intervir de forma mal intencionada e gratuita por um simples esporte. Isso não faz bem a saúde. Defendo essa idéia até o fim. Até eu me contrapor a ponto de restaurar a minha dissuasão, como prova da minha tolice. Deveria ter uma lei que extinguisse isso. A gente deveria nascer com um pragmatismo imposto por máquinas na hora da geração. Existe muita iniqüidade pousando de bonita na estante da casa dos outros, fingindo não ser notada. Tem muita ruindade tomando sopa aqui mesmo, sem pesar gastos. Parece que inconsciente ou conscientemente, ninguém é mais motivado por um cálculo consequencialista dos seus atos. Finge passar a bola, e vive às custas da impunidade, do acaso. O umbiguismo camuflado de moral. Um caráter com o prazo de validade vencido. Mas ainda sim, eu me permito acreditar.
Eu queria a redenção desse tipo de pobreza. Eu queria ética. Eu queria um pouco mais de bondade, clareza e sinceridade.
Mas porque to escrevendo tudo isso? Porque muita gente me contesta por acreditar nos outros. Muita gente contesta minhas últimas escolhas, com o simples intuito de contrariar, sem medir o estrago que isso possa causar. E eu fico triste, por acreditar nessa coisa chamada bondade, e por amar demais. Compulsivamente. Mas escrevo isso, porque eu tenho que agradecer por acreditar nisso. Porque tem gente pra caralho andando por aí, que eu tenho que ajoelhar e agradecer por tudo que têm feito por mim ultimamente, de forma gratuita e incondicional. Sim. Muita gente passou a perna em mim, ultimamente. Sim. Fui humilhada durante meses, por alguém que não me suportava também gratuitamente, mas sobrevivi, e aturei mais alguns meses esse tipo de inferno. Chorei muitas noites, me entupi de calmantes, tive ataque de tremedeira, mas isso não me matou. Isso não mata, mas também não fortalece. Só põe a prova a tese da motivação e do caráter ambíguo que, contrariando tudo isso aí, não é de nenhuma forma gratuita. É o tiro ao alvo. É a armadilha pra botar apoenas mais uma cabeça a prêmio na parede. É a vaidade. É a arrogância. É o orgulho.
Muita gente morre por estas coisas. Morrem órfãos da indulgência, da mesma forma que matam condicionados pela ausência de tais princípios.
Eu queria acreditar no abolicionismo de tudo isso.
Ando tão triste que isso tem sido mais forte do que eu. Muitas vezes não consigo sair de casa, e me entrego ao meu colchão de choro. Ando tão triste que tenho ficad doente de quinze em quinze dias. Não consigo encontrar a saída disso, e tenho pedido ajuda e força pra Deus. Ta duro ficar sem Ele aqui nessa casa. Ta duro agüentar essa dor o tempo todo. Ás vezes essa tristeza atraca no meu porto e eu fico louca. Há realidade demais, maldade demais e ódio demais. Isso pra mim é doentio. É vício. E eu procuro não acreditar. Eu amo demais.
Mas isso também é uma forma de doença que deve ser curada
Infelizmente.
Só para constar: algum retardado rasgou nosso banner.
Fomos censurados.

Tem certeza que não estamos em Pocinhos do Rio Verde?
Absoluta!
Lá eles têm educação, apesar de todo moralismo e ortodoxia, típicos de cidade do interior. Crescem ouvindo coisas do tipo “Tira a mão daí, menino!” ou “ Não estraga o que não é teu!”.
E isso funciona!
Para saber mais sobre a Odisséia, clique aqui - by Aline Abovski
Deus, ele caminha numa linha tênue entre ator de hair e vocalista de banda death metal. Mas no fundo, no fundo, eu jurava que ele era mais um idiota metido a hippie intelectual mesmo (daqueles que sabem de cor todas as letras do Iggy Pop e falam com agilidade e segurança sobre viagens astrais e teoria de gaya – o cara sabe tudo). O tal cabeludo de naipe estranho falou muito na reunião da cooperativa. Queria aparecer. Deus, ele argüiu exaustivamente! Muitos não agüentaram a malice do cara e foram embora. Eu fiquei até o final e logo depois desci. Quando já estava na calçada, senti alguém cutucando meu ombro. O maldito death-hippie veio atrás de mim e me puxou no canto. Perguntou com quem eu trabalhava e fez uma cara estranha seguida de uma risadinha. Eu perguntei qual era o problema, mas ele olhou para o lado da rua e não respondeu logo de cara. Fez um suspensezinho, daqueles bem típicos de pessoas geniais. Fiquei na minha e deixei a coisa rolar pra ver o que me esperava. Pela cara do indivíduo, eu tinha certeza que ele tava querendo mostrar sua capacidade intelectual, através do seu approach genial, que abordava seu trabalho genial, seus atores geniais, suas viagens geniais e peças geniais. E adivinhem: eu estava certa! O cara passou longos e intermináveis minutos me falando o quanto ele era fodão, e o quanto seu trabalho era apreciado por ele mesmo! Me contou sobre sua mais recente montagem, feita com atores estrangeiros. Uma peça sobre bruxas. Me contou que requer um processo exaustivo, e que a montagem durará meses, mas que no final, formará uma companhia de bons atores – coisa extinta aqui em São Paulo, segundo seu requintado parecer. Fez questão de frisar a péssima qualidade do teatro em São Paulo. Falou que não tem absolutamente nada que preste neste pardieiro, a não ser ele próprio. Ele quer mudar o teatro da nossa cidade. Ele quer revolucionar, botar pra fuder, mostrar pra todo mundo como se faz teatro, porque ninguém mais sabe. Só ele. Ele tem a fórmula mágica que conseguiu com uma bruxa lá pros lados da Irlanda do Norte, onde fez teatro de rua. Disse que a montagem configura atores na íntegra, daqueles que transitam de um extremo a outro no palco. Disse que forma ator multimídia. De alma. Esvaziando a “pessoa” e a recheando com a “personagem”, que nem pão-de-queijo de tomate seco, ou pão de batata com catupiry. E seus espertinhos atores cantam, dançam, se contorcem, cospem fogo, fazem coisas que você não acredita, ele não acredita, eu não acredito, mas enfim.... eles realmente fazem de tudo. Ás vezes até deus nem acredita. E por vezes nem os próprios atores. E até interpretam!!! Inacreditável, mesmo. E ele repetia sem se cansar: “Uma farsa! Esses grupos de teatro de São Paulo são todos, uma farsa! Só tem atores e peças ruins (aponta em direção a praça Roosevelt). Eu posso dizer isso porque eu sou estudado! Sei do que to falando”. Entendo. Tudo isso, baseado em todas as peças que viu em São Paulo e no mundo.
Quando disse que ele estava equivocado, acabei deixando o homem nervoso. Bem nervoso, e justificou sua opinião nas peças que fez em Londres, Irlanda, Santa Rita do Passa Quatro e Conchinchina.
Perguntou se eu estava livre no sábado, e queria me chamar para participar do processo. Fazer uma das bruxas...
Pois é, meus caros, acreditem: eu não pude aceitar. Perdi a oportunidade da minha vida. Infelizmente meu primo vai se casar justamente nesta data, e eu estarei ocupadíssima com os preparativos de unhas e penteados.
Nunca mais vou poder ser bombril.
Tristão.



Billie Holliday, muita raiva e cheiro de defunto. O tempo todo eu tenho sentido cheiro de cadáver ao molho de formol... daqueles de época de faculdade, de dar dor de cabeça por três dias, de fazer dizer Não à qualquer picanha suculenta com alho e salada de agrião. E o sinal não fecha pra eu poder atravessar a rua com meus saquinhos de supermercado.... Tudo em excesso: A Billie Holliday, a raiva, o defunto e o semáforo. No mais, sempre me mandam ser moderada. Bebidas, desgostos, quedas, vôos, abraços, comidas, beijos, empregos, remédios, obrigações, químicas, amores, cigarro, o raio que o parta. Mas eu não sou moderada nem ponderada. Não consigo ser. E me fodo sem moderação. E sempre entrego demais. Por isso minha pele anda tatuada com arranhões do além. Mas ok. Rock me Baby! Tenho Billie Holliday nas caixinhas de som que quase não me servem pra nada. Só pra ter mais vontade de vomitar na minha própria cara. Além disso tenho aquela porra de dor de estômago. Zimmis. Ele ta querendo sair novamente. Agora também tem me causado enjôos e vertigens. Estupraram minha cabeça a tarde inteira. Ganhei de presente vários canais de TV a cabo que, como a Billie, que não me serviram pra absolutamente porra nenhuma. E três anos de esforço gratuito que me deu de troco a queda livre em 3D. E esse computador não está sendo usado para seu fim planejado. Bobagem. Junto os trocos e a falta de moderação pra passar as tardes tingindo currículos em fúcsia, sofrendo estupro mental e tatuando lentamente a alma e a pele de hematomas. Paguei passagem para um trem fantasmas de quinta categoria durante uns anos, e agora pago para sair dele. Mas ainda tenho um fox lady pegando uma carona no meu carrinho-fantasma, enquanto aprecio com moderação uma latinha de cerveja gelada durante a madrugada. Aliás, congelada pela minha geladeira que anda tendo surtos de frieza, sem moderação. Como eu. Apática, sem graça e quieta. Pareço mais um panetone duro em promoção no carnaval. Dor de estômago. Meu Deus, como isso dói. Chá de boldo e camomila para dormir. Ou mais uma porrada na cabeça pra ver se vai tudo pro inferno de uma vez. Junto com minha conta bancária menstruada.
Condições: pós churrasco na laje by Thabata + cerveja de tudo quanto é tipo.
Local: Boteco qualquer do centro.
Paulão inventa de ligar pra Caio pra dar feliz aniversário. Eu pego o telefone pra falar com o cara:
- E aí, Caio ta acordado, mulhequi???? Sabe quem ta falando?????
(Pausa dramática)
- Não. Não é o Edney. É a Marisa. Feliz aniversário.
Paulão me indicou fazer aulas de canto. Disse que eu poderia ser uma grande cantora, e citou Ângela Rô Rô, Cássia Eller, Ana Carolina e um montão de outras sapatas com a voz como a minha.
Acontece que eu não quero cantar, ter voz de homem nem muito menos ser confundida com um. Quero ter uma voz fina, estridente, e bem parecida com a da minha irmã: taquara rachada. Sempre quis.
Ainda esse ano eu paro de fumar, João Fábio.....
Ele era curioso e corria atrás dos carros. Era pequeno, e mal podia ser visto.
Rodrigo morreu atropelado. Um acidente causado pelo cara que mais o amava.....
Rodrigo: o cachorro de três olhinhos que morava em Bertioga. Rodrigo: o animal que me desejou um feliz Ano Novo. Rodrigo: o cachorro que vomitou de desgosto depois de eu tê-lo empurrado do sofá. Rodrigo: o cachorro sensível.
Eu chorei muito. Eu e o Marcelo.