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Eu queria ser como uma casa com um jardim na porta e uma macieira no quintal.
Salsinhas penduradas no canto da cozinha e retratos de uma vida comum.
Um lugar com cheiro de chá de camomila e erva cidreira nos dias santos.
Eu só queria ser um lugar confortável.
Cansei de Serge Gainsbourg e cigarros amassados nos dias cinzas.
De parecer uma lembrança de praia em outono, onde nada combina.
Queria dizer quanto aos meus receios
Queria dizer quanto às minhas estranhezas
Queria dizer quanto as minhas esquisitices
Queria dizer quanto as minhas inseguranças
Queria dizer quanto ao meu porto seguro na noite vazia que emenda um dia ao outro.
Mas apenas tenho a serra, e/ou o oceano Atlântico no meio disso tudo.
Aquele mar de azeite já era.
Cansei de ser um corpo estranho na madrugada acordada.
E isso me destrói.
E isso me diminui.
Para me sentir em casa, é preciso hábito.
Mas eu ainda não tenho o hábito de mim.
É, meninos... eu vi.
E não gostei de nada.
Nem dessa tristeza de não ser confiável e lugar-comum.
Eu queria ser um lugar-comum, mas não consigo.
E entendo os barcos que passam do outro lado do parapeito procurando um porto profundo...
Um que não precise de dragagens.
Um que não responda em encalhes.
Eu só queria ser este lugar
Com este sorriso amigável.
Mas não passo de uma farsa.
E uma comida exótica em uma cidade do interior.
Onde tudo não combina...

Pois pra mim, faltou é choro, e eu fiquei com vontade de vomitar.
Boa Páscoa a vocês.

Quer dizer, se isso ainda significa ovos de chocolates.
Sim, e a gente também. E, com exceção do pessoal que subiu comigo naquele palco do “Segundas Intenções”, talvez seja este o meu único motivo que, na segunda-feira, me fez tacar a peroba na cara e encarar aquele microfone na Bubu. Por que eu não sei cantar. E constantemente me perguntava o fazia eu ali com aqueles caras que transbordam talento. Talvez seja por este motivo que, essa menina da foto seja eu, que isso seja um microfone e que a minha cara seja de receio.
Receio de soltar a voz no blues. Receio porque eu fumo pra caralho e não tenho como acompanhar caras como Fábio Brum e Tchello Roverso... Obviamente, se me ocorresse a imprudência de tentar aumentar o volume da minha voz, eu me tornaria o maior dos equívocos da rua dos Pinheiros, e me tirariam dali com tapinhas na nuca e gritos na orelha. Eu me controlei. E pelo bem estar geral das pessoas que pagaram para entrar no show, e dos próprios organizadores do evento (Thereza Piffer e Marcelo Varzea) meu desafino foi camuflado pela guitarra que me encobriu e me deixou passar despercebida. E isso agradou muito a todos, inclusive a mim.
Mas mesmo assim, deu para se divertir muito, e parece que vão pintar outros por aí. E digo com convicção: vale a pena conferir estes caras no palco. Mas que seja por eles, e que fique bem claro isso!
Jogue num tupperware: papinha nestlé de mandioquinha, miojo talharim a bolonhesa e ovo frito com a gema mole.
Misture tudo de maneira que deixe o aspecto do seu potinho o mais horrendo possível e coma acompanhado de coca light.

Eu estava ali apenas com o intuito de comprar uma carne, umas berinjelas e um pacote de bolachas pra matar quem matava a gente lá no ensaio. E tava indo tudo bem, de repente... Começaram os murmúrios de tensão e o empurra-empurra em direção à um banheiro de metragem insignificante. Pior que fila de metrô às 18, no sentido Corinthians-Itaquera. Treze pessoas, uma pia e uma privada amarela, todas espremidas num quadradinho de, no máximo, 3 m2. Uma economia de compras, dinheiro, espaço e barulho. O dono da mercearia, um japa-china indecifrável, que mal sabia gemer no idioma nacional, elaborava caras que me causavam a exclusão inconsciente de um grotesco acesso de riso. A graça recalcada pela conveniência (pra mim, aquilo que o japa emitia, parecia mais uma xenolalia, e isso tudo me fazia pensar constantemente em William Peter Blatty, lá no quito dos infernos). Quando eu dei por mim, era um coro de credo. Um “Creio
- "E aí??? Vivendo em grande estilo???? "
E eu respondo:
- "Não. "
Agora chega?