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“Pra onde eu vou, eu decido no trem. Desculpe meu bem”
Vamos deixar as coisas como estão, certo? Elas correm seu fluxo (a?) normal, dentro do ritmo louco que a gente criou. Enquanto todo o resto se mistura com aquele jazz convidado na noite quente. Aquele que ainda não acabou. E hoje ela (ou você?) continua bem ali naquele canto ao lado do aquário quase morto – Uma discordância, veja você... Tanto movimento misturado com a ociosidade daqueles peixes caretas – enquanto eu procuro a chave que não botei no canto que você armou. Sim, meu bem. Eu te desculpo. Desculpo também sua confusão tão parecida com a minha e essa eterna indecisão de não saber exatamente em que bar será a próxima cerveja. Pra onde eu vou, eu descido no caminho, enquanto você, fica no seu trem. Desculpo meu bem. Porque essa nossa inocência é exata e no ponto certo. Como a daqueles moleques que pulavam sem medo das pedras do seu lugar predileto, que andava escondido na sua lembrança de menino. Despreocupados. Simples assim. Aqueles cinco moleques que brincavam com a gente. Com receio de nadar até a praia, e tranqüilos por conhecer de cor e salteado o mapa das pedras afundado. Desse domingo de sol no Ilha Porchat. Descalços, como dois meninos vadios. Fazia tempo que eu não via aquilo. Fazia tempo que eu não sentia as pedras cravadas na sola do meu pé e engolia água salgada pelo nariz. Tinha esquecido de como aquilo me fazia respirar melhor. E mesmo o seu desleixo de menino que me deixava para trás nas discordâncias das pedras mais altas, me soava gentil. Eu pulava e dava de cara com suas costas. Fazia tempo que eu não sentia os dedos murchados pela água e entrava no matagal sem ser convidada pelo proprietário do terreno. Uma liberdade despretensiosa, despreocupada, criativa. Gentil. Uma brincadeira de criança, desprovida de fios e eletricidade, com exceção dos japas do computador, estrategicamente localizado na frente da cama improvisada. A coragem faz parte deste lugar tão incomum para mim. E eu não falo mais nada. Simplesmente, porque não tenho vontade.

