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O Arbítrio é uma arrogância com relação ao destino.
É sempre muito bom voltar pra casa.

Atrás da dor, há sempre a dor. O sofrimento é o único sentimento perene e hoje eu estou tentando domá-lo antes que ele me debele. Devagarzinho, vou conseguindo. Para tentar tornar esses dias um pouco mais silenciosos e confortáveis. Fáceis de lidar. As coisas não são tão simples como eu imaginava e eu me sinto perdedora e decepcionada. Perdedora pelo estrago dessa mentira recém-criada e decepcionada por perceber minha ignorância e minha ausência. A loucura foi um golpe fascista que me derrotou e eu perdi todas as esperanças. Perdi esse jogo por ter as mãos atadas e rezo por uma salvação de qualquer lado. Eu quase não consigo domar minha dor de não saber driblar o inevitável. A roda da vida. O porco que corre atrás da serpente, que corre atrás do galo. Eu corri atrás do meu próprio rabo e acabei com ele entre minhas pernas. Não me perdoando por me dar as costas. Por me largar na mão na hora que eu mais precisava. O inferno não é quente. É gelado. É quando olhamos para todos os lados e não vemos ninguém. Quando só vemos que as coisas são difíceis e o único sentimento que prevalece é o sofrimento desmascarado. Não sei. Só sei que é sempre muito bom voltar pra casa. Aqui é quente.

Faz tempo que eu não posto nada, principalmente pela falta de vontade. Sabe cumé...saco cheio para andar três estações, sentar a bunda e escrever qualquer coisa, além falta de comida na geladeira dessa casa que me faz me manter afastada. Bem longe. Bem distante. Mas as coisas andam ociosas demais para dizer a verdade. Tenho tido muito sono ultimamente e coisas estranhas têm me acontecido: pra começar o Marty McFly acha que é meu amigo no orkut; eu sonho que sou Jacques Mayol, que virei um golfinho rotator e que me perdi nas profundezas de Fernando de Noronha; e para terminar, passo o final de semana inteiro tentando segurar o velho. Pois sim, meus problemas estão exatamente aí. Pelo fato de aceitar o convite do Marty, jurando por Deus que moro em Hill Valley; por saber que Jacques não virou golfinho nenhum e se enforcou na Itália; e por não conseguir decorar o texto final do velho, que me pede para avisá-lo em cena quando eu lembrar minhas falas.
Me fez enfiar a cara em coisas medonhas que não fazem o menor sentido. Não me sinto nem um pouco à vontade e não me orgulho disso.
Hoje eu acordei com enjôo.