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Inesquecível esse presente. Essa cousa de quinze andares que pra mim, quase se rematou no décimo primeiro, e eu entendo bem. Eu entendo bem esse approach João Fabianesco de contar sua história para os outros. E eu ri com o coração apertado porque entendi do que se tratava. Que se tratava de uma coisa simples e triste. Desse vômito blasé que amordaça a ingenuidade espontânea. Esse vômito que sai da goela dessa gente que usa desse aniquilamento alheio para um tipo de promoção pessoal, ou usam desse método para publicidade e propaganda do produto criado e apresentado à sua platéia particular. Tenho nojo desse escárnio manufaturado. Ninguém precisa virar o mundo de cabeça pra baixo para encontrar a peculiaridade. Essa necessidade ridícula da diferenciação. Sei lá, não entendo essa gente. Gosto do bucolismo, sou careta. Gosto de gente simples, que vive (ou sobrevive) na ingenuidade, e que come com farinha de mandioca torrada a ilusão de que muita coisa (ou gente, tanto faz) tem um determinado valor. Eu acredito que isso ainda exista. E é sobre essa situação ululante de desdém que João discorre com segurança. E isso é tão comum que me atordoa... e conheço esse cara. Sei do que ele fala. Conheço esse tapa. O tapa da humilhação escancarada, travestida de um modus viventi irônico e (pra mim) patético, que procura na sessão de achados e perdidos a sua afirmação egocêntrica e sinistra. Essa merda toda já virou pão embolorado. É triste. Esse ar fresco e aparentemente sóbrio que traz a impressão de que tudo está bem é o que mais me incomoda.

Um inesquecível presente de quinze andares é isso aí: uma dádiva a quem puder perceber o escárnio de João pra toda essa gente funesta.

Um Inesquecível Presente de Quinze Andares

Samuel é um jovem ingênuo e sonhador que trabalha numa livraria e vive a grande expectativa no dia de seu aniversário de conhecer Lili Sol, uma moça misteriosa e amiga de Arquiteto, um universitário boa vida, dono do apartamento onde mora Samuel. Samuel, Muquifo, Verinha, Arquiteto e Lili Sol, cinco jovens da grande metrópole São Paulo, cinco mundos diferentes lutando pela sobrevivência, por desejos e pela vida.

Teatro Satyros 2

Praça Roosevelt, 124, Consolação - Fone: 3258-6345.

Quintas e Sextas, 21h30. R$15. Estudantes, aposentados e classe teatral 50% de desconto.



- Enviado por: Marisa Lobo às 16h18
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Cai logo, nega

Alguém aí conhece o Junio Barreto? O cara da franjinha de três fios virados pro lado direito? Pois bem... eu conhecia o pernambucano só de nome e já tinha ouvido uma música ou outra. Na sexta fui no show do cara lá no Blen Blen e lá eu me estraguei mais um pouco de dançar. Meu corpo inteiro doía da noite anterior - que passei como uma gazela dançando durante 4 horas seguidas – e mesmo assim arrumei forças para um pouco mais. Porque eu adorei o que vi ali. Pois além da voz fantástica, e dos músicos perfeitos (a destacar tecladista japonês do Jumbo Elektro que não pude assistir na noite anterior no Rose Bom Bom e um tal de Gustavo Ruiz que toca um violão de sete cordas) o Junio tem uma pegada altamente melancólica e delicada nas suas músicas que quase me fizeram tirar os sapatos rasgados na escadaria do palco e por ali ficar só de cara de paisagem. Tipo aceitando o “Se Vê que Vai Cair Deita de Vez”. É um samba diferente. Tipo uma suingueira dopada. Às vezes triste, longe, nostálgico. Às vezes alegre, totalmente contemporâneo. Isso sem contar as letras do cara... Sai lá pelas tantas da Vila Madalena, voltando para casa num clima ligeiramente estranho de uma ressaca acumulada e uma dor de cabeça infernal.

E dia seguinte, feijoada que eu não comi lá no Marajá. Passei a tarde inteira conversando com Dany Boy, redescobrindo meu lado biológico guardado - mais uma vez, é deliciosamente reconfortante voltar pra esse meu lugar-comum. À noite segurando o veio e contando os minutos para sair dali. E ontem eu saí. Correndo. Porque não tenho porque aturar desaforos de ator chiliquento. E voei pro bar do Trovão onde um casal copulava em diversas posições na nossa frente. Saímos de lá direto pra casa da Thabata e do Gustavo onde rolava a gravação de um curta. Na saída, eu cansada, corri pra casa como se tivesse horário marcado com meus colchões. E tinha.



- Enviado por: Marisa Lobo às 11h36
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Estrategicamente localizado na praça Roosevelt:

Imperdível!

Vejam que beleza de cartaz...

Vejam que beleza de desenho...

Vocês acham que com a peça ia ser diferente?

Enfim... paguem para ver!



- Enviado por: Marisa Lobo às 19h51
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Foi Assim

Eu ria e fumava.

Muito.



- Enviado por: Marisa Lobo às 12h41
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Sobre alguns atores que venceram o medo do ridículo

Eu fico aqui tentando entender essa gente que puxa saco de produtora de casting. Sei lá. Nunca ganhei dinheiro com isso e talvez essa já seja uma explicação por si só. Hoje um cara me falou que valeria a pena eu marcar presença na produtora, pelo menos duas vezes por mês só para cativar as meninas com pequenos presentinhos no intuito delas lembrarem da minha cara. Eu achei aquilo muito estranho. Nem com meus amigos eu me sinto à vontade para aparecer do nada no trampo deles, imagina com alguém que eu sequer sei o nome... e ainda mais com um presente na mão. É muito surreal. Não consigo fazer mimos e agrados para conseguir um trabalho. Não adianta. Me sinto desconfortável, e acho isso normal. Muita gente acha que não e isso ta parecendo fazer parte da rotina de trabalho do ator. Mas tudo na maior informalidade. Essa história de presentinhos e beijinhos molhados em troca de grana pra mim é pura putaria. Preferia abrir um bordel ou voltar dar aulas pra colegial. Na verdade, sou tão caxias que escolho a honestidade ridícula de ficar esperando que alguém me ache nos intermináveis cadastros de atores e elenco de apoio do que aparecer por lá do nada com uma caixa de bombom na mão. Eu me sentiria uma débil mental fazendo isso. Hoje me disseram que é investimento, e que o resultado vale a pena. Acho muita cara de pau uma pessoa ter a coragem de sair de casa, comprar uma caixa de bombom ou qualquer outra merda para simplesmente dar pra uma pessoa que mal conhece com aquele sorrisinho amarelo. Porra, no mínimo, eu sentiria necessidade de ar explicações. Acho que seria até capaz de justificar dizendo: “olha, desculpa aí, sei que você mal me conhece, mas taí uma caixa de bombom pra você lembrar da minha cara e me enfiar no próximo trampo” Sei lá, simplesmente não consigo. Talvez minha dificuldade por não conseguir forjar “amizades interessantes”, ou fazer “contatos convenientes” me resulte em muito mais trabalho pela frente. Talvez isso venha a calhar por simplesmente não dever nada a ninguém. Isso pra mim já é um mérito. Por isso escolho ficar por aqui, quietinha no meu canto, fazendo meu teatro escola. Na hora que a falta de grana gritar mais alto do que eu, eu prefiro procurar uma fazenda de cultivo de camarão ou qualquer outro treco alternativo que me agrade. Sem mais nem menos.



- Enviado por: Marisa Lobo às 00h10
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