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Eu fiquei orgulhosa por ele ter pedido para eu digitar esse livro. Eram diversas folhas datilografadas, e rasuradas por cima, que me deixavam tonta. E comecei devagar... para não cair. No decorrer do trampo, fui me interessando pelo livro de tal forma, que por muitos momentos, tive que parar tudo para ler o capítulo inteiro. Eu digitava, parava, lia, e chorava em alguns trechos. O Marcelo ficava puto e me pressionava para terminar logo. A editora estava no pé dele, e eu simplesmente não conseguia. A curiosidade era mais forte que eu, e me entregava àquela história que me fascinava aos poucos. Mas consegui. Entreguei no prazo e ficamos na expectativa de uma capa. Muitas idéias foram lançadas, até que um cara apareceu com uma imagem que era a cara do livro. Eu não consegui ver, e quando ele me entregou o exemplar pronto, não resisti e pulei no pescoço do cara. O lance estava pronto. E desde essa época, estava ansiosa com o lançamento. Puta livro. E hoje, no lançamento do “Joana a Contragosto” do Mirisola, eu vou ler pra moçada esse trecho que me fez chorar (muito). Eu, a Ana Carolina Martins e mais uma galera do Satyros. O Eldo vai fazer o conto “Malamud” que ele está ensaiando para o Cuenta Cuentos.
Vai ser lindo, eu garanto.

Lançamento de JOANA A CONTRAGOSTO, de Marcelo Mirisola, hoje, dia 25, na Praça Roosevelt, no Sebo do Bactéria, no Espaço Satyros (Pça Roosevelt, 124).
Cantareira, Ecos Urbanos, Cuenta Cuentos ou Refrão para Desconhecidos e Íntimos: Um Tanto Faz que faz diferença.
Ralar com pessoas lindas. Pessoas amigas. Fazer um puta trabalho - ou vários - e dormir, de madrugada, satisfeita por ter tido mais um dia de orgulho. Dormir tarde, pouco, só para desfrutar do trabalho apoiado da escola de Yoga, que veio para me dar pique pros ritmos insanos das produções, ou para um trabalho de legitimada concentração. Talvez ambos, não sei bem... Só sei que estou tranqüila. Falta estresse. Falta nervoso. Falta copos quebrados na parede. Falta ociosidade, bem diferente do ano passado, nessa mesma época – que foi só para contrariar, e me meter nessa satisfação deliberada, aposto. A contrapartida: trabalhar que nem uma louca e nada – ou pouco – receber com isso. Pois hoje, digo em voz alta, sorridente: Foda-se. Foi isso que eu quis. Foi isso que eu escolhi. O eco da geladeira não subestima o valor desses resultados. Batata! Sei o que é fazer cara de paisagem para o vencimento da conta de luz, e o problema é a falta motivos para a desmotivação. Rio incessantemente da cara dela e dos pilequinhos de finais de semana que tive que abrir mão. Toquei o foda-se e me enfiei dentro de casa. Para fazer valer a pena. Pois sei que o produto disso tudo está logo ali na frente e que nada vai ser capaz de me parar. Nem mesmo a provável meia luz dos próximos meses. Aliás, a acho bucólica e deixa o ambiente agradável para um espaguete a dois, melecado de molho caseiro. O perrengue não é forte o bastante para me parar e digo mais uma vez, só para terminar: Foda-se.
Amém.

Até o final desse ano, se Deus quiser:
Cuenta Cuentos
E em 2006, estréia:

Café e Anjinhos by Anne Guedes
Reescrevi. Agora sim, vamos lá:

Depois da sessão de energéticos passes japoneses, ele limpa a minha cara lambuzada com a mão direita e fala da beleza da região traseira não inaugurada. Mas, logo após me apresentar o elaborado malabarismo da sua boca carnuda de degustador de vinhos raros, adaptado à sua eficácia dos dotes contrabandistas de armas de destruição em massa de pelos pubianos, me manda ficar bem, diz pra eu não desistir das minhas fantasias enquanto resmunga sobre as dificuldades da vida. O quanto tem medo do affair planejado e dos morangos adocicados, mesmo sabendo da mentira daquilo tudo. Ou da verdade inventada daquilo tudo... damit! (resmungo). Digo que estarei no templo armado para o dia seguinte – no meio do processo libertinoso antropofágico – enquanto espreito a incoerência de uma cabeça e um “elevador em manutenção” pela porta entre aberta. O fetichismo é a esfinge da criança pobre, penso. Notas trágicas ao estilo Big Walter ressonavam na minha cabeça ao mesmo tempo em que praguejava o preço dos precocemente lambuzados encontros religiosos que teria, e que seriam escarrados sem reserva – longe da vista da esposa quarentona que a essas horas, deveria estar dando lacinhos paranóicos em presentes insignificantes – e procedia com palavras incoerentemente tímidas lançadas ao ar. “Te vejo amanhã, benzinho. Não se preocupe que não contarei nada a ninguém... Agora vá”. Depois toma um café e sai pela porta dianteira afora. E minto uma arma estrategicamente misturada de inocência infantil com a pose de um miraguaia que espera a rede de arrasto:
-Por favor, não pense que eu ...
-Hei! Se considerar a parte do tesão ambivalente, vale a pena garantir a equivalência no sentimento, querido. Acalme-se!
E termina questionando a implicação da importância que eu daria ao posterior tratamento amistoso pela qual seria gratificada em público, claro. Eu garanto minha pose de nega das tamancas contrariando sua tese de ataques chiliquentos e armo minha armadilha contra mim mesma, não questionando a (pseudo?) defasagem de sentimentos oblíquos excluídos para além daquele recinto vermelho, estrategicamente ordenados junto com as duas xícaras de café com cinco gotas de adoçante líquido e dos cheiros dos incensos do Himalaia.
Defeito do amor, nego. Defeito do amor...
E fechei a porta sem olhar para trás, pouco antes de conceber a próxima fuga extraordinária de passes magnéticos e curas espirituais.