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Dewi
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Ela escova os cabelos com raiva, sem graça... Antes de dormir... Enquanto suas coisinhas tomam conta do espaço que não cobre 40 m2... Dentro da medida... Desse possível. Sabendo que tudo acaba sempre em pizza. De calabresa. E tudo bem assim... talvez assim. Nossa vida não vale é um beijo na testa. Talvez até menos. Um telefone desligado, e um eterno tapa nas costas - num fim de noite... Qualquer um - em troca de um serviço bem feito na casa do caralho. As migalhas em cima da privada aparecem como salvação do mundo, me escondendo atrás da realidade que será perdida pelo dia que amanhece. Equívoco enlouquecedor. Mais uma dose de conhaque para contrabalancear a história. A raiva como objetivo da solidão. Não dou trégua ao ataque desnecessário, e saio pela porta dos fundos... com a comanda paga.
Virtua serve para você que:
não tem telefone fixo em casa para economizar;
não tem crédito no seu celular;
que imaginou que, contando os trocados para pagar os caras, teria a garantia de receber seus e-mails além de ganhar uns divertidos canais de lambuja...
Certo?
Errado otário! Se você pensou em algumas dessas desculpas para assinar a net a cabo virtua, pode ir desanimando.
Qualquer problema com seu cabo (eu disse cabo!), os caras não vão poder te ajudar a arrumar a cagada, a não ser que você tenha um telefone fixo ao seu lado (onde eu me perdi?). E não adianta pensar em comprar um cartãozinho vivo na banca e gastar seus R$20,00 que te restam de crédito na tentativa de resolver seu sinal. E nem pense em ser atendida. Eu tentei, mas a musiquinha de espera foi mais arrogante que meu limite de saldo. Esperei sentada e a ligação caiu. Desci, comprei mais um cartão de 20 unidades na ilusão de conseguir um “técnico”, e nas últimas 2 unidades eles me garantiram que o “técnico” cobrava uma taxa de R$35,00 para a “visita”... Tentei explicar que além de não precisar de “técnicos” de programa, a idéia não era servir café com biscoitos enquanto conversávamos a respeito do inverno que não chega, mesmo porque minha net não funcionava já há 3 dias (isso na quinta-feira dia 13) e o problema não era no meu computador... Subi desconsolada, sentei, botei um Milestones para relaxar e ri imaginando o escritório com sede na rua Aurora A maior ironia foram os R$70,00 que tinha botado neste exato 10 de abril (data em que a net parou de funcionar) na conta dos babacas que é mais pontual que engenheiro civil. Tudo em dia... No mais, já descabelada, sem unhas e descalça, resolvo cair nas graças da genial idéia de Dani Angelotti que me consolava do outro lado da linha, em recorrer ao telefone do visinho. O aparelhinho sem fio do cara me resolveu a parada e eu quase morri de inveja daquela coisinha preta. Me senti uma idiota, babaca, impotente e otária... Agendamos a “visita” para segunda à noite, e eu espero aqui, sentada de pernas para cima. O feriado resolveu me sacanear, e torceu meu pé na manhã de sábado quando voltava pra casa. Dormi sem notar aquela dorzinha insistente. Descobri na cachaça um ótimo sedativo... Abri os olhos e percebi um desconforto cada vez maior. Tento colocar meu pé no chão e não consigo. Aos pulos, peço para o zelador me ajudar nos degraus e me chamar um táxi. No hospital, ainda caio da cadeira de rodas em cima do pé zoado, tentando chamar a enfermeira. Mais uns 20 minutos de espera e ganho duas deliciosas doses de analgésico que me deixaria grogue durante o resto do dia. Mas o ortopedista era um cara bacana. Enquanto arrumava minha nova tala, combinava com seu irmão cardiologista uma “cerveja ou algo mais forte” num boteco qualquer. É. Ele foi o primeiro médico que conheci que além de falar a palavra boteco, não me proibiu de beber. Bobagem, saí dali com água na boca, o que não foi o suficiente para me fazer ousar tanto. Analgésico abaixa a pressão e eu fui embora do bar com o rabinho entre as pernas (ou entre as muletas).
Depois de dois dias trancafiada num apartamento, aparece o técnico da net. Ofereço café e água. Ele aceita a água e me diz meu sinal estava sendo roubado. Gato.
Acabou o feriado. Eu sento, respiro, olho pro meu pé zoado e decido encher um copo de requeijão de vinho. Chega.
- Enviado por: Marisa Lobo
às 22h51
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