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mo.ral adj (lat morale)
1 Relativo à moralidade, aos bons costumes. 2 Que procede conforme a honestidade e à justiça, que tem bons costumes. 3 Favorável aos bons costumes. 4 Que se refere ao procedimento. 5 Que pertence ao domínio do espírito, da inteligência (por oposição a físico ou material). 6 Diz-se da teologia que se ocupa dos casos de consciência. 7 Diz-se da certeza que se baseia em grandes probabilidades, e não em provas absolutas. 8 Diz-se da atitude ou comportamento de quem está perturbado, confuso ou embaraçado por qualquer circunstância. 9 Diz-se de tudo que é decente, educativo e instrutivo. sf 1 Parte da Filosofia que trata dos atos humanos, dos bons costumes e dos deveres do homem em sociedade e perante os de sua classe. 2 Conjunto de preceitos ou regras para dirigir os atos humanos segundo a justiça e a eqüidade natural. 3 Tratado especial de moral. 4 Conclusão moral que se tira de uma fábula, de uma narração etc.
A tarde já estava caindo quando eu dei por mim da imoralidade triste dos pensamentos suicidas. Com os olhos marejados na beira de uma piscina sem graça naquela hora, eu imaginei um holocausto no meu revés sentimental. Me desprezei profundamente, e não entendia como nem de onde tudo aquilo saíra de dentro de mim. Um parto do demônio oculto, pensei quase resmungando em voz alta. Existem horas que tudo que vê, são imagens distorcidas do reflexo que parece ser você mesmo. Logo depois de alguns minutos, olhando o sol num tom vermelho-alaranjado entre nacos de nuvens abertas, minha mente ia distraindo-se entre cores e texturas quando eu já me impugnava de pensamentos que fluíam das origens da água daquele hotel que residia na cidade que, para mim, é sempre uma referência à você. Ao entrar no ônibus, após uma longa jornada de malas e bandeiras, um leve incômodo de impaciência me fez rezar baixinho uma oração que, ainda desconhecida, acreditava me levar a um lugar onde o breu não é nada mais do que uma cor sem graça. Passando pela estrada, logo ao lado, vejo um cemitério plano, pequeno, aparentemente abandonado. Pensei nos defuntos esquecidos entre cruzes pequenas, poças e capim-limão. Uma igreja envelhecida consolava o lugar, com a benção de alguma espécie de santa perdida a santificar as cruzes e moitas verdes. Eles estariam abençoados a ponto do esquecimento ser admissível. Tudo isso ali, ao lado do hotel cinco estrelas. Ao passar pela frente, observava sozinha as luzes que acabavam sobre as cruzes de pedra, enquanto a vista dos outros distraíam-se entre janelas com vista ao lugar nenhum e revistas multi-variadas, multi-coloridas e multi-animadas. Ali, eu vi o que poderia ser uma bagatela. O cemitério tinha passado, e a paisagem que seguiu pareceu não se importar com a estimação dos esquecimentos daquelas pessoas que há muito já haviam sido substituídas por qualquer outra fumaça guardada na memória de alguém que, talvez produzisse pães vendidos ao quilo, que vendesse vassouras de porta em porta, que trabalhasse alternando entre escritórios e fóruns barulhentos, ou que até mesmo, perambulavam pelas ruas esmolando qualquer trocado por colheres feitas a pau. Elas haviam sido, de uma forma ou outra, esquecidas por meios a migalhas e tufos de capim-limão. Por outro lado, eu ali sentada vendo a paisagem absorver e ignorar as cruzes apagadas, rezava por um fogão a lenha na minha cabeça, em busca de uma paz quase desconhecida. Um aconchego de lar. Mandava para o espaço meus conhecimentos hiperlinkescos, que nada mais serviam que tirar o pai da equipe da forca na hora do incêndio. Nem queria tanto aquilo tudo, para falar a verdade. Como eu invejava aqueles defuntos omissos com suas cruzes petrificadas. Queria o aconchego da lapidação mal feita e a benção da santa anônima. Com um pouco de sorte, conseguiria um tufo de capim-limão. E por um pouco de sorte, as pessoas do ônibus jamais imaginariam os passos dos meus pensamentos e a importância daquilo tudo. Por onde afinal caminha meu pseudo-sanatório-sanitário que me proíbe proceder à felicidade dos instantes? Por onde que se pinta tanta morbidez nas minhas paredes? Por que me perco na minha imensa vicissitude emocional? Por que para mim, autocontrole não é algo tão indulgente quanto um grito de cão vadio entre tufos de capim-limão? Esse acaso me foi concebido no nascimento. Carrego como uma medalha na parte de trás do corpo. Minha face já não escancara mais que buracos inexpressíveis. Sou inexperiente nesse trecho de felicidade. Isso me torna burra. Humilhantemente burra e louca. Uma idiota entre as classes intelectuais. E o que me sobra depois do imenso vazio ínvido compassivo advindo do cemitério à montante do riacho, é a velha pergunta: “de onde vem a água daquele maldito hotel”?
- Enviado por: Marisa Lobo
às 11h15
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